Sábado, 15 de Março de 2008

Linguagem e Cultura nos meados do dec. XX(12)

 

(Continuação)

 

Funcho-fenuculu por feniculu , Planta umbelífera medicinal, arbustiva ,cujas folhas servem para dar aroma a carnes e peixes, sendo também utilizadas para conservar as passas de figo. Colhido na manhã de São João livra a casa de raio. Tem propriedades medicinais: antiespasmódico, estomático e resolutivo.
Funda- Laçada de couro ou corda para arremessar pedras ou balas ao longe. Também funga. Boa produção, boa colheita de frutos: A azeitona deu este ano boa funda: produziu bem.
Fundeiro- Que está no fundo ou na extremidade mais baixa. Na freguesia existem os lugares de: Casal Fundeiro, Lomba Fundeira, Outeiro Fundeiro e Engarnais Fundeiros.
Fundilhos- Parte posterior das calças no lugar correspondente ao assento. Remendo deitado nessa parte das calças.
Funeral- Enterro de uma pessoa, exéquias.
Funil- Utensílio em metal e forma de cone invertido, com um tubo no vértice que serve para envasilhar ou transvasar líquidos.
Furão- Pequeno mamífero carnívoro mustelídeo que os caçadortes empregam para fazer sair os coelhos das tocas.
Furda- Choça, cabana. Cerca dos porcos.
Furgão- Carruagem coberta de um combóio, destinada ao transporte de mercadorias.
Furrica- Excremento quase líquido. Forrica. Forrica de galinha.
Fusco- Escuro, pardo.
Fuso- Pequeno instrumento de madeira roliço com que se fia o linho e a lã. Horário
Futriqueiro- Vendedor de objectos de pequeno valor: miudezas, dedais, agulhas, cordões, ..
Gabarola- A pessoa que se gaba muito e que faz elogios dos seus próprios actos.
Gabiru- Velhaco, finório, garoto.
Gadanha- Foice de cabo comprido que serve para ceifar, cortar ervas e fenos em grandes quantidades. O feno cortado forma cordões ou carreiros paralelos, que ficam a secar quatro ou cinco dias, findos os quais são atados em feixes e transportados para os palheiros ou telheiros. É constituída pelos seguintes elementos: a manioca da mão esquerda; a manioca da mão direita, as armas da gadanha(cabo), a folha com gume, não dentada, a bainha, onde descansa o cabresto(ferro que liga as armas à baínha) e a argola com uma cunha onde o cabresto se prende nas armas.
Gadanho- Espécie de ancinho com dentes de madeira ou de ferro, para arrastar estrume e para outros serviços agrícolas. Consta de três partes: cabo, travesseiro e dentes, inseridos no travesseiro. O da eira serve para, na eira, juntar a moínha e o cereal que se está a malhar.
Gadeza- O mesmo que gado.
Gado caprino, também designado por cabrum ou gado de cabelo, que comprende as cabras e os bodes.
Gado- Designação colectiva dos animais domésticos que se criam para os trabalhos agrícolas, para a alimentação humana e outros fins.
Gado vacum. O boi e a vaca tomam nomes diferentes consoante a idade: vitelo/a até 6 meses; bezerro/a entre 5 meses e 1 ano; amôjo/a mais de 1 ano até 2; novilho/a, mais de 2 até 3 anos; Boi ou vaca com mais de 3 anos.
Gadunha(o)- Unha crescida, garra.
Gafa- Moléstia das azeitonas que as engelha e faz cair, provocada pela mosca.
Gafanhoto- Insecto ortóptero, saltador, que come verduras.
Gaforina- Cabeleira desalinhada, trunfa.
Gaio- Jovial, alegre, esperto, fino. Ave de penas mosqueadas que vive nos pinhais.
Gaiola- Pequeno móvel portátil, geralmente feito de arame para servir de clausura a aves e a outros pequenos animais. Casinhola, casinhoto.
Gaita- Instrumento de sopro formado por um canudo com buracos. Pífaro. Pop. Pénis.
Gajo- Matulão, espertalhão, finório, velhaco, manhoso.
Galado- Diz-se, em relação às aves, do ovo fecundado pelo macho.
Galar- Fecundação pelo o galo e outras aves. Cortar as pontas aos melões e pepinos para robustecer os frutos já existentes (capar).
Galdério(a)- Vadio, gastador, intrujão, cabeça no ar.
Galega- Designativo de uma variedade couve, também chamada ratinha, e de vários frutos, designadamente, de uma variedade de azeitona.
Galga- Mó de granito do lagar de azeite para moer a azeitona. Fêmea do galgo. Gir. Fome. Pop. Peta, boato, atoarda. Mentira
Galgo- Cão pernalta e esguio, próprio para a caça de lebres.
Galheiro- Aparelho em forma e árvore, em cujos os galhos se penduram as panelas, tachos, ... .Espeque. Ir para o galheiro: partir-se, desaparecer.
Galheta- Frasco pequeno de vidro, porcelana ou metal, com gargalo, em que vêm para a mesa o azeite e o vinagre. Gíria: Bofetada.
Galho- Ramo de árvore. Parte do ramo depois de partido que fica ligado ao tronco da árvore. Esgalho, galha. Ferrar o galho: adormecer.
Galhofa- Gracejo, folgança, risota, brincadeira, folia, divertimento.
Galináceas- Ordem de aves a que pertencem as galinhas, faisões, perus, ... .
Galinha- Fêmea do galo. Má sorte, azar. A enxúdia de galinha é muito utilizada no tratamento do trasorelho ou papaeira e em muitos inchaços. Aplica-se sobre a parte molestada, envolvendo-se com papel pardo e um pano.
Galinheiro(a)- Vendedor de galinhas. Capoeira*.
Galo- Género de aves galinháceas. Macho da galinha. Pequeno inchaço na cabeça ou testa produzido por uma pancada. Missa do galo: missa da meia noite.
Galocha- Calçado com solas de madeira ou borracha.
Galopar- Andar a galope*, correr com rapidez.
Galope- A carreira mais rápida de alguns animais quadrúpedes. Corrida veloz.
Galracho- Escalracho*.
Galucho- Soldado enquanto aprende a primeira instrução militar. Recruta, magala. Fig: novato, caloiro.
Gamboa- Fruto do gamboeiro*. Marmelo molar.
Gamboeiro- Variedade de marmeleiro.
Gambozinos- Pássaros ou peixes imaginários com que se iludem os ingénuos ou bajoujos, mandando-os caçar ou pescar esses pássaros ou peixes.. Ir à caça dos gambozinos: O engano dos rapazes mais jovens pelos de mais idade que consiste em levá-los, de noite, para o campo e colocá-los, junto a uma oliveira ou outra árvore com um saco na mão à espera que nele entrem tais pássaros. Os companheiros fingem que vão bater a área e deixam-no no local até que o rapaz perceba o logro em que caiu. Assim passam a noite ao relento.
Gamela- Espécie de bacia feita de madeira, muito usada nos lagares de azeite. Vaso largo de madeira de fundo redondo ou rectangular empregada no carrego de pedras e terra provenientes da abertura de poços e na construção civil.
Gancheta- Pequeno gancho de metal ou de madeira.
Gancho- Peça curva para suspender pesos. Arame em forma de U com que as mulheres seguram o cabelo. Ramo de árvores, forquilha. Pop. Fazer escora, apoio. Fig.Arrimo, amparo.
Gandaia- Ociosidade, vadiagem, mandriice, galdérice.
Ganga- Tecido forte azul ou amarelo. O fato de ganga azul era usado pelos operários e outros profissionais, por ser mais duradouro e menos cativo.
Ganhão- Aquele que vive do seu trabalho, trabalhador do campo, jornaleiro. Na Beira: aquele que trabalha com uma junta de bois.
Ganir- Dar ganidos, isto é, gritos dolorosos, próprio dos cães. Chiar.
Garanhão- Cavalo de cobrição.
Garatuja- Trapalhada. Garabulha. Confusão. Garafunhas.
Garavato- Pau com um gancho na ponta destinada à colheita da fruta.
Garaveto- Pedaço de lenha miúda que se utiliza na fornalha da cozinha e no forno. Maravalha, cavaco.
Gare-Lugar de embarque e desembarque de passageiros e mercadorias nas estações de caminho de ferro. A gare de Mouriscas teve uma grande importância até 1960. Nela embarcavam e desembarcavam, diariamente, muitas dezenas de mourisquenses, cujas viagens se relacionavam com o trabalho. A gare habitualmente estava cheia de cairo e de ceiras e capachos que iam para todo o País.
Garfada- Porção de comida que se toma de uma vez com o garfo.*
Garfo- Utensílio de mesa de 2 ou mais dentes que faz parte do talher. Forquilha destinada a separar a palha do grão aquando da malha dos cereais. Forquilha das rodas das bicicletas. Enxerto ou rebento vegetal utlizado nas enxertias. Fig: Pessoa que come bem.   
Gargaleira- Coleira de cão de guarda.
Gargalejo- Gargarejo. Líquido medicamentoso para ser gargarejado, isto, é, agitado na boca com o ar expelido da laringe, sem o engolir.
Gargalo- Colo mais ou menos alongado de garrafa ou outra vasilha com entrada estreita.
Garlopa- Plaina grande usada pelos carpinteiros e marceneiros.
Garrafa- Vaso de vidro, de cristal ou de louça, de gargalho estreito, destinado a conter qualquer líquido.
Garrafão- Garrafa grande, geralmente, empalhada ou com capa de verga.
Garraio- Bezerro sem manhas.
Garrancho- Arbusto tortuoso. Ramo de árvore, pedaço de lenha, garaveto.
Garruço- Carapuço das crianças.
Garupa- Parte superior de certos animais, entre o lombo e a cauda. Ancas do cavalo.
Gasgalho- Escarro espesso que a custo se expele da garganta.
Gasganete- Garganta, pescoço. Gasguete.
Gasosa- Limonada gasosa muito consumida, até cerca de 1960, singela ou misturada com vinho.
Gaspacho- Sopa ou miga de pão, azeite, vinagre, água, sal e alhos pisados( às vezes tomate e pepino migados) que é a comida habitual dos ceifeiros do Alentejo, designadamente, dos chamados ratinhos. Caspacho.
Gáspea- Parte dianteira do calçado que cobre o pé. Meio rosto que se deita no calçado já usado.
Gateado- Seguro por meio de gatos ou grampos de metal.
Gateador- O que coloca gatos*. Oferecia os seus serviços, de casa em casa, pondo gatos em utensílios de barro, partidos ou rachados: alguidares, caçarolas, cântaros, bacias, ... .
Gateira- Buraco, de forma arredondada, aberto, na inferior da portas, para passagem dos gatos, grandes caçadores de ratos.
Gateiro- Um artífice que andava de terra em terra e de casa em casa a pôr gatos*nos objectos de louça/barro partidos. No objecto ou peça partida- panelas, cafeteiras, caçarolas, ...- abria uma buraco de cada lado e aí colocava uma arame, semi-curvo, e uma massa esbranquiçada de cal branca. Assim as coisas depois de reparadas continuavam a ser utilizadas. Também se encarregava de reparar guarda-chuvas. Eram excelentes comunicadores e porta-correio: Traziam e levavam novidades. Por volta de 1945, o tio António Teso, conhecido de toda a gente, era o artista do tempo. Gateador.*
Gato- Género de mamíferos carnívoros, da família dos felídeos. Animal doméstico de grande utilidade no mundo agrícola, especialmente, por ser um grande caçador de ratos. Grande companheiro do homem, rara era a casa em que não existia um gato, grande amigo da solidão e da quietude. Possuí-lo dá sorte. Não tê-lo leva o povo a ditar: Casa sem gato nem cão é casa de velhaco ou ladrão. Grampo para unir e segurar pedaços de objectos quebrados, especialmente, de cerâmica. Também utilizados para suturar feridas.
Gato-bravo- Gineto*.
Gavela- Feixe de espigas ou de mato, cortadas, braçada. Gabela, paveia.
Gaveta-Espécie de caixa corrediça, vulgarmente sem tampa, que se embebe em qualquer móvel. 
Gavetão- Gaveta grande.
Gavião- Ave de rapina falconídea, maior do que o peneireiro*. Gavinha*.
Gavinha- Pequenas hastes por meio das quais algumas plantas, sarmentosas e trepadeiras, se agarram às plantas vizinhas ou estacas.
Gazeta- Falta às aulas por vadiice. Publicação periódica.
Gazola- Alcaravão*.
Geada- Orvalho congelado que se deposita sobre os corpos por efeito do arrefecimento noturno. Gelada
Geba- Bossa, corcova. Mulher velha e corcunda. Mulher mal vestida, mal amanhada.
Gebo- Corcovado corcunda. Indivíduo sujo, seboso, mal vestido ou mal feito.
Gelfa- Gir. Velha, geba*. Há um lugar em Mouriscas chamado Gelfa.
Gelha- Engelhamento na película dos cereais e dos frutos por não se terem desenvolvido convenientemente. Ruga na pele.
Gelo- Solidificação de um líquido pelo frio. Caramelo. Fig. : indiferença, frieza, desamor.  
Gema- A parte amarela do ovo. Rebento, gomo de uma árvore. Sal-gema: sal fóssil.
Gemada- Porção de gemas de ovos batidos com açúcar e um líquido quente. Tomava-se em situações de debilidade física e intelectual.
Gente- Quantidade de pessoas, povo, população, humanidade, família.
Geringonça- Coisa mal engrendrada, mal feita e de fácil destruição. Engenhoca. Salamaleques.
Geropiga- Tipo especial de vinho resultante dos mosto virgem, isto é, sem começo de fermentação.
Gesso- Sulfato de cal hidratado.
Giesta- Planta leguminosa. Serve para fazer vassouras que eram muito utilizadas nas eiras durante as malhas.
Gineto- Mamífero carnívoro, semelhante à raposa. Gato bravo que, frequentemente, atacava os galinheiros e fazia grandes estragos.
Gingeira- Variedade de cerejeira, de fruto agridoce, de cor avermelhado escuro.
Ginja- Fruto da gingeira*. Com este fruto, aguardente e açúcar fabrica- se a ginginha.
Girândola- Roda ou travessão com orifícios para foguetes, a que se lança fogo ao mesmo tempo. Eram muito usadas nas festas de Verão de Mouriscas.
Girino- Peixe cabeçudo.
Giz- Variedade de carbonato de cálcio, usado, especialmente, para escrever em ardósia ou quadro preto nas aulas.
Glande- Bolota, lande. Extremidade do pénis dos mamíferos.
Goiva.- Formão para lavrar meias-canas côncavas;
Gole- Porção de líquido que se engole de uma vez. Trago. Golo.
Golo- Gole. Goro
Gorado- Frustado, malogrado, inutilizado. Diz-se do ovo que não deu pinto..
Gorgomilo- Termo popular para significar goela, garganta.
Gorgulho- Insecto coleóptero que ataca os cereais nos celeiros: trigo, milho, centeio, ... .
Goro- Que se gorou(ovo), inutilizado, frustrado.
Gorra- Carapuça, espécie de barrete. Espécie de boina espanhola
Grade- do lat. crates dentatae, Alfaia agrícola composta por três de barrotes de madeira (os banzos), paralelos, provida de bicos de madeira ou de ferro, ligados por três travessas, de madeira, que se destina a alisar, desterroarar e aplanar as terras antes ou depois das lavouras e das sementeiras. É puxada por dois animais, mais raramente, por um. Nos banzos estão aparafusados de 6 a 8. Para aumentar a sua eficácia colocavam-se em cima da grade algumas pesadas pedras.
Grafanhoto- Corruptela de gafanhoto*.
Gramadeira- (de grama) peça de madeira para trilhar o linho.
Gramar- Trilhar o linho com gramadeira.
Graminho- instrumento de marceneiro e de carpinteiro, para traçar riscos paralelos à borda das tábuas.
Grão-de-bico- (Cicer arietinum, L ), Planta leguminosa muito usada na confecção de refeições das gentes do campo. Ervanço. Gravanço
Graveto- Lenha miúda, pedaço de pau.
Greda- , do latim creta, Barro macio e amarelado que se empregava para tirar nódoas da madeira.
Grelar- Deitar grelo, espigar.
Grelhado- Processo de cozedura de um alimento sobre as brasas ou numa grelha incandescentes.
Grelo- Gema desenvolvida na semente, rebento.
Gretar- Abrir fendas, frinchas ou gretas.
Grifo- Ave de rapina.
Grilo- Insecto ortópero saltador . Vive dentro de uma toca ou buraco. Os rapazes apanhavam-nos e colocavam-nos dentro de pequenos gaiolas, onde os machos cantavam. Tiram-se da toca com a ajuda de um caule adelgaçado e de canções apropriadas. Ter um grilo em casa era sinal de fortuna.
Grosa- o conjunto de doze dúzias; espécie de lima grossa; faca para descarnar peles
Grossura- Bebedeira, piela.
Grou- Ave pernalta, da família dos cultrirrostros.
Guarda-rios- Pequena ave que vivia nas ribeiras; Pessoa encarregada de zelar pela limpeza dos cursos de água e pelo cumprimento das leis da pesca.
Guedelha- Cabelo desgrenhado e comprido. Gadelha.
Guilherme- espécie de plaina, para fazer os filetes das portas, junturas das tábuas, etc.;
Guilho- Espigão de metal ou de pedra em que termina inferiormente o eixo do rodízio*. Cunha de ferro, com o extremo em gume, para partir pedra ou rachar lenha. Muito usado na abertura de poços.
Guincho- Som agudo e inarticulado. Grito.
Guisado- Processo de cozedura que consiste em cozer um alimento cortado em bocados regulares num molho mais ou menos condimentado.
Guita- Pedaço de cordel. Dinheiro.
Guizo- Pequena esfera oca de metal, que contem bolinhas maciças, que produzem sons quando agitadas. Cascavel.
Herdança- Termo popular=Herança
Herege- Pessoa que não frequenta a igreja
Heresia- desgraça, pena, falta de respeito a um sentimento religioso.
Hortelã- Menta cordifilia, L , planta lamiácea utilizada a cozinha . O seu chá cura as dores de estômago e tem propriedades calmantes.
Igreja- Templo dos cristãos. Existe em Mouriscas, no Casal da Igreja.
Ilhó-Pequeno furo, aberto com um furador, em pano, couro, cartão, onde se enfiam, fitas, atacadores. Diminutivo de olho.
Iluminação- Acto ou efeito de iluminar, de dar luz. A iluminação a azeite deu origem a artefactos tão elegantes com a candeira de espelho com vazado cruciforme, ao candeeiro de bicos, ao candeeiro de sardão.
Inspecção militar- Todos os anos os mancebos com 20 anos eram, obrigatoriamente, submetidos a esta inspecção. Era dia de festa, com foguetes e baile, pois a partir desta data os rapazes atingiam o estatuto de adultos. Quando regressavam de Abrantes traziam na gola do casaco fitas com o seu significado próprio: Fita verde/vermelha significava apurado para todo o serviço militar; verde e branca: esperado; branca: livre.
Jaleca- Espécie de casaco curto. Jaqueta*.
Jangada- Armação feita de madeira destinada a transportar mercadorias sobre a água . Era habitual, de Abrantes para baixo, deitarem-se muitas tábuas/troncos, ao Tejo, ligadas umas às outras, formando jangada que chegava Lisboa. Iam sobre ela três homens.
Jaqueta- Vestimenta que antigamente só usava a gente do povo e os camponeses. Espécie de casaco sem abas que se ajusta à cintura.
Jarreta- Pessoa mal vestida, ridícula
Javali- do ar. jabali, Porco-bravo. Depois de quase extinto, com o abandono da agricultura voltou em força, causando grandes prejuízos nos poucos campos agrícolas ainda existentes. Muito apreciado pelos caçadores.
Javardo- pessoa suja, imunda.
Jeira- Medida agrária tradicional equivalente à superfície de terreno que uma junta de bois lavrava por dia. Salário pago por cada dia de trabalho a um jornaleiro.
Joeira- Artefacto destinado a separar as impurezas de várias sementes. Crivo. Ciranda
Joeirar- Passar pelo crivo ou joeira*
Jogo- Tudo quanto se faz para recreio do espírito, distracção, divertimento, brincadeira, folguedo, brinquedos, praticados tanto na meninice como noutras idades. Jogos da infância: cabra-cega, da barra, das escondidas, de agarrar, de mão, do pião, do gato e do rato, do chicote queimado, dos cinco cantinhos, do anel, da sardinha, do lencinho vai na mão, do finto, do eixo, do homem, das prendas, do dá-me lume, do botão, ... ; Jogo de cartas, da manilha, do chinquilho, ... .
Joio- Planta gramínea que nasce entre os campos de trigo, prejudicando-os. Moído com o trigo dá um sabor amargo à farinha. Cizânia.
Jorna- Salário diário que se paga a um trabalhador rural.
Jornaleiro- É o trabalhador rural que lavra ou cava a terra dos outros ou que que faz transportes com o carro de bois com junta de bois própria.
Judeu- Fig. Homem muito agarrado aos bens terrenos. Pouco bondoso.
Jugo- Canga*. Junta de bois. Fig. Domínio, submissão, opressão.
Junça- Planta ciperácea utilizada para lavar o interior dos utensílios de barro usados para guardar água.
Junco- Género de plantas delgadas e flexíveis que vegetam em locais húmidos. Muito usado para enfeitar o chão das barracas destinadas a albergar as mesas onde eram servidas as refeições dos casamentos e, nas festas religiosas para atapetar o caminho por onde passava a procissão. Simbolicamente tem caracter fálico.
Junteira- Plaina pequena para abrir as juntas ou encaixes das tábuas, utilizada pelos carpinteiros.
(Continua)

 

publicado por casaspretas às 11:09
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Linguagem e Cultura nos meados do dec. XX(11)

 

Continuação

 

Enguiço- Mau olhado, quebranto.
Enjeitar- Rejeitar, desprezar, repudiar.
Enjorcado- Mal trajado, vestido atabalhoadamente, mal e à pressa. Fazer mal qualquer coisa.
Enlaçar- Prender, atar, com laço. Apanhar animais a laço.
Enladeirado- Que forma ladeira, inclinado, declivoso.
Enlamear- Sujar, manchar de lama*. Enlodar.
Enleio- Aquilo que ata, liga, prende, imobiliza. Gavinha*.
Enlourecer- Tornar louro ou cobrir de louros. Enlourar, alourar.
Enluarado- Iluminado pela Lua, em que há luar.
Enovelado- Dobado, feito em novelo. Emaranhado, confuso. Enrodilhado.
Enquerideira-Corda de sisal destinada a fazer a carga no dorso de animais
Enquerir- Apertar ou ligar com a enquerideira. Dispor a carga de cada lado do dorso dos animais de modo a equilibrar-se. Pop. Encrer.
Enrodilhado- Amarrotado, amachucado, torcido, enleado, embaraçado, encolhido.
Enrugar- Fazer rugas ou pregas em. Franzir, encolher, amachucar, amarrotar.
Ensaboadela- Lavagem com sabão. Fam. Repreensão, reprimenda. Aquisição de rudimentos ou primeiras lições.
Ensebar- Untar ou sujar com sebo*, engordurar, manchar.
Ensertar- Tirar um bocado de algo. O pão já foi ensertado: já lhe foi tirado um bocado. Ou encertado= encetado?     
Ensesgar- Lavrar a terra obliquamente, enviesado.
Ensirrostro- Que tem o bico em forma de espada.
Ensoado- Recozido pelo Sol. Insolado.
Ensoar- Recozer-se ao calor do Sol. A melancia está ensoada e por isso foi para ao animais.
Ensopado- Guisado de carne ou peixe servido sobre fatias de pão.
Ensopar- Fazer um alimento absorver um líquido.
Ensosso- Que tem falta de sal, insípido, desenxabido. pop. Insonso.
Entancar- Represar a água fluvial ou corrente em tanque ou represa. Empoçar.
Enterreirada- Diz-se da árvore que está cheia de frutos, em princípio maduros, no chão. A oliveira enterreirada: com muita azeitona caída no chão.
Enterro- Enterramento, funeral, préstito fúnebre..
Entesar- Tornar teso ou tenso. Esticar, tornar-se rijo. Criar orgasmo.
Entrançar- Dar forma de trança, entrelaçar, entretecer.. Entrançar cebolas: o mesmo que embraçar* cebolas.
Entre Serras- Lugar da freguesia de Mouriscas, sito na sua parte Norte.
Entretinho- Nome vulgar do mesentério do porco.
Entrevado- Que não se pode mover, tem os membros sem movimento. Paralisado, paralítico.
Entroviscar- Espalhar trovisco* na água das água das ribeiras ou rios para envenenar os peixes.
Entrudo- Carnaval. Os três dias que antecedem a entrada da Quaresma. É tempo de pregar partidas. Pessoa que se veste ridiculamente, que se mascara.
Enxabido- Insulso, desenxabido, sensaborão. Ensosso*.
Enxaca- Cada um dos lados do seirão* que se coloca nas bestas de carga.
Enxada- Alfaia agrícola composta de um cabo e uma pá em ferro. A forma de lâmina é variável, segundo a natureza dos solos ou das culturas. Na região é quase quadrada, distinguindo-se do enxadão, em cuja lâmina rectangular se verifica um destaque do comprimento em relação à largura, muito menor. Serve para entancar, regar culturas de regadio e ainda para sachar ou revolver a terra à volta de certas plantas.
Enxadão- Alfaia agrícola composta de cabo de pau( eucalipto, oliveira, freixo, salgueiro, carvalho, ... ), olho ou alvado, abertura onde se introduz o cabo, garganta, a parte que liga o olho à pá, , espalmada, em ferro, de forma rectangular, que pode ser raso ou petas e serve para rasgar a terra, a cunha, que se introduz no próprio cabo. Serve para cavar, fazer regos, enleirar, ... .
Enxalmo- Manta que se coloca por cima da albarda* que se destina a aplanar e tornar mais macio o assento ou sobre as bestas para as resguardar do frio.
Enxame- Conjunto das abelhas de um cortiço. Multidão.
Enxaugar- Corruptela de enxaguar. Lavar, passar por água repetidas vezes.
Enxerga- Enxergão pequeno, duro e grosseiro. Cama de pobre. Espécie de almofada que assenta na albarda.
Enxergão- Espécie de enxerga ou saco grande cheio de palha que se usa nas camas debaixo do colchão da cama.
Enxergar- Ver a custo, com dificuldade. Ver, avistar, distinguir, adivinhar, perceber..
Enxerir- Enterrar, cravar, plantar: enxerir um estaca. Corrupela: Enxarar. Enxarar o feijão de embarrado: enterrar canas para que ele se embarre ou se dependure nelas, enleando-se nelas
Enxertia- Prática cultural que se destina a propagar por via vegetativa determinadas plantas com aproveitamento de outras cujas qualidades convém ao agricultor associar, sob certos aspectos, a algumas das qualidades da primeira.
Enxerto- Operação que consiste em introduzir uma parte viva dum vegetal noutro vegetal.
Enxó- Instrumento de carpinteiro ou tanoeiro para desbastar madeira
Enxofradeira- Instrumento que serve para enxofrar as vinhas e outras árvores de fruto.
Enxofrado- Polvilhado de enxofre. Mistura preparada com enxofre. Fig. Fam. Irado, agastado, arreliado.
Enxofrado- Zangado, irado.
Enxofre- Corpo simples, sólido e amarelo e combustível.
Enxotar- Fazer fugir, afugentar, repelir, expulsar.
Enxoval- do ár ax-xuvar=dote, Colecção de roupas interiores e de casa, de adornos, ..., que a noiva traz para o casal. Conjunto de roupas e adornos necessários para uma criança recém-nascida, para uma colegial, ... .
Enxúndia- Gordura ou banha das aves: exúndia de galinha.
Enxuto- Seco, sem humidade. Abrigado da chuva. Pessoa magra.
Era costume fazer tosquiados artísticos na anca dos animais. Pessoa muito estúpida.
Ermo- Lugar sem habitantes, deserto, descampado, despovoado.
Erva- Qualquer planta anual ou vivaz que não é árvore nem arbusto e que morre logo que frutifica. Vegetação espontânea. Ervas: plantas herbáceas e forraginosas. Eram utilizadas para feno. Erva cidreira, Melissa officinales, L, Planta lamiácia. Melissa. O seu chá serve para curar as doenças do estômago.Erva doce, Pimpinela anisum, L , Planta herbácea da família das umbelíferas. A água do seu cozimento faz bem às cólicas intestinais e acalma os espasmos. Ervilha de cheiro, Planta odífera leguminoda papilonácea.
Erva-do-bom-pastor- Erva anual, espontânea, de caule florífero ercto, com as folhas da base em roseta junto ao sol, com florwes barncas todo o ano. Tem propriedades adstringentes, hemostáticas e tónicas, utilizando-se nas feridas, hemorragias, menopausa e seios. Bolsa-de-pastor.
Ervedeiro- Medronheiro*.Ervilha- Planta leguminosa. A vagem ou a semente desta planta que serve para alimentação humana, quer em vagem, quer em semente.
Ervedo- Conjunto de ervas muito bastas. Ervaçal. Ervescal.
Ervilha- Planta leguminosa. A vagem ou a semente desta planta que serve para alimentação humana, quer em vagem, quer em semente.
Ervilhaca- Planta forraginosa e leguminosa que nascia no meio das searas de trigo e era preciso arrancá-la na monda.
Esbaforido- Ofegante, esbofado.
Esbagoar- Tirar os bagos a.
Esbandeirar- Tirar a bandeira* ao milho.
Esbarrigado- Diz-se do indivíduo que traz descaídas as calças. De barriga aberta.
Esbarrondar- Desmornar, desfazer.
Esbarrondar- Desmornar, esboroar, cair.
Esbodegar-se- Cansar-se, fatigar-se.
Esborcelado- Com as bordas partidas.
Esborcelar- Quebrar as bordas de. Uma panela de barro esborcelada: aquela que tem as bordas partidas ou quebradas. Esborcinar, esbotenar, esboucelar.
Esborralhador- Vara de pinheiro, castanho, ou de outra madeira, que serve para esborralhar as cinzas e o borralho do forno. Vassoura própria para varrer o borralho. Esborralhadouro.
Escabeche- Conserva de vinagre, cebola e temperos para peixe ou carne.
Escabeche- Conserva de vinagre, cebola e temperos para peixe ou carne.
Escabroso- Que tem grande declive, escarpado, íngreme. Difícil, melindroso. Que é contrário às conveniências ou ao decoro.
Escachar- Rachar ao meio, fender, separara, abrir.
Escada- do lat. scalata, Série de degraus por onde se sobe ou desce.
Escadote- Escada pequena; móvel com quatro pernas.
Escalavrar- Arranhar, produzir escoreação em, golpear.
Escaldadiço- Que facilmente se escalda.
Escaldar- Queimar com líquido quente ou fervente. Meter em água quente. Queimar.
Escaleira- Escada, degrau da escada.
Escalfado- Passado por água muito quente.
Escalho- Chocalho*.
Escalracho- Gramíne vivz que nãp favorece as plantações.
Escalracho- Planta gramínea vivaz prejudicial às searas. Galracho.
Escamado- Zangado. Sem escamas.
Escanar- Cortar a cana(bandeira) ao milho.
Escancarado- Aberto de par em par, completamente.
Escangalhar- Desmanchar, desconjuntar; estragar, rachar, tirar os cangalhos*.
Escapadela- Fuga, retirada súbdita e às ocultas. Esquivança.
Escaqueirar- Fazer em cacos, partir.
Escarafunchar-. Do lat. scariphunculare, Investigar; procurar com minúncia; remexer a terra como as galinhas; esgravatar.
Escaranchar- Pôr alguém a cavalo, abrindo-lhe muito as pernas.
Escarchado- Diz-se do licor de anis obtido pela infusão em aguardente de um ramo aromático de anis, sobre o qual vem cristalizar-se o açucar, em virtude de um excesso de adoçamento.
Escarolar- Tirar o grão do carolo* do milho.
Escarpelada- Desfolhada*.
Escarpelar- (de carpela) Desfolhar o milho.
Escavacar- Fazer em cavacos, quebrar, despedaçar. Alquebrar.
Escopro- Instrumento de aço com que corta ferro ou se lavra madeira, pedra, ... Cinzel.
Escorpião- Lacrau. Anecral*.
Escorrega- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Escorrido- Escoado, esgotado.
Escorropichar- Beber até à última gota. Esgotar.
Escoucinhar- Dar couces. Escoucear ou escoicear.
Escova- Utensílio para limpar fatos, móveis, dentes, cabelos, soalhos, animais. 
Esfalfamento- Grande cansaço, enfraquecimento por excesso de trabalho.
Esfedelhar- Desfazer, partir em pedaços. ??????  
Esfolar- Arranhar, escoriar, despojar da pele. Vender muito caro, explorar nos preços, esmagar com impostos.
Esfolhar- Tirar as folhas às canas do milho.
Esfregão: Pano próprio para a esfrega, limpeza.
Esfuracado- Esburacado.
Esfuracar- Esburacar, fazer buraco em .
Esgaçar- Corruptela de esgarçar que significa rasgar, separando separandoo os fios de um tecido. Separar os ramos de uma árvore sem os cortar.
Esgalhar- Podar, desramar, partir.
Esgalho- Rebento de árvore; galho.
Esganado- Que, ou aquele que tem muita fome: O José está esganado com fome.. Estrangulado. Sufocado.
Esganiçar- Tornar aguda, estridente a voz.
Esgaravatar- Remexer, revolver com as unhas; coçar (nariz ou os ouvidos). Pop. esgravatar.
Esgrouviado- Alto, magro. Desalinhado, desgrenhado.
Esguelha- Través, soslaio, obliquidade. Olhar de esguelha: olhar de lado.
Esladroar- Tirar os rebentos novos, os ladrões às plantas.
Esmifrar- Corruptela de esminfrar: Sugar; explorar abusivamente, alguma coisa de alguém.
Esmocar- Desprender galho ds sua origem. Partir ramos. Quebar com pancada.
Espadela- Instrumento de madeira, com forma de cutelo, para sacudir os tomentos do linho.
Espadelagem- É a operação que permite separar os tomentos do linho com a ajuda da espadela de madeira.
Espairecer- Distrair, divertir, passear, entreter-se.
Espalha-brasas- Pessoa estarola, alegre, estouvada.
Espantalhos- Figuras de palha, com feições de seres humanos que se colocam nos campos, no meios das searas maduras e frutos maduros, para afugentar os bandos de pássaros. Para além destas figuras de palha usam-se outros objectos, como sejam: cântaros, telhas, cacos de louça, ... . Também se colocava uma garrafa no alto de uma cana comprida que servia para espantar os milhafres, afastando-os dos pintaínhos.
Espargo- Planta liliácea caracterizada por ramos carnudos comestíveis.
Espartaria- Lugar onde se fabricam ou vendem obras de esparto*.
Esparteiro- Fabricante ou vendedor de obras de esparto, com sejam, seiras, capachos, esteiras.
Esparto- do lat. spartu< do gr. spártos, Planta gramínea, cujo caules rijos e flexíveis servem para fazer esteiras, capachos* ou cordas.
Especar- Segurar, amparar com espeque, escorar. Parar, estacar.
Espelunca- Casa imunda.
Espenicar- Depenar, tirar as folhas.
Espeque- pau ou vara para segurar alguma coisa para não cair. Escora, apoio. Fig.Arrimo, amparo.
Espera- Pau para colocar o carro direito.
Espernegar-se- Deitar-se ao comprido descuidadamente
Espeto- Utensílio de ferro ou de pau pontiagudo para assar carne ou peixe.
Espicaçar- Ferir com o bico, picar com instrumento agudo. Aguilhoar.
Espichado- Esticado, estendido.
Espichar- Esticar, alongar, estender.
Espiga- do lat. spica, Parte superior da haste das gramíneas que contém o grão. Contratempo, mau negócio, prejuizo.
Espigado- Que desenvolveu espiga. Fig.: Crescido, desenvolvido.
Espingarda- Arma de fogo portátil, de um ou dois canos compridos.
Espinha- Nome comum a todas as saliências ósseas que no corpo humano se apresentam alongadas. A coluna vertebral. Osso de peixe. Fig. : cume dos montes, crista, espinhaço.
Espinhaço- Coluna vertebral; costas; dorso.
Espinho- Excrecência acerada que sobressai do lenho de certos vegetais. Fig: dificuldade, tormento.
Espinotear- Dar pinotes*, escoucear.
Espiolar- Tirar piolhos. Examinar com minúcia. Espioulhar.
Espirro- Esternutação. Deve saudar-se quem espira sob pena do diabo entrar nessa pessoa. A pessoa que o faz já não morre nesse dia.
Espoar- Peneirar segunda vez a farinha para que fique mais alva.
Espojado- Rebolado no chão. Fig: deitado na cama.
Espojar- Fazer cair na terra, rebolar-se no chão. Era frequente as bestas deitarem-se no meio do pó, muitas vezes com carga.
Espojeiro- Lugar os animais se espojam. Espojadouro.
Esponsão- Trapo de limpeza utilizado nos trabalhos mais sujos. Trapo, esfregão*
Espora- Haste de metal com um espigão munido de uma roseta que se adapta ao calcanhar do calçado, para incitar as cavalgaduras. Nome de planta de jardim.
Esporão- Doença que ataca os cereais. Cravagem. Saliência córnea existente na parte posterior do tarso dos galos.
Espremer- Comprimir, apertar para extrair um líquido.
Espulgar- Tirar a pele às batatas ou às castanhas cozidas. Tirar as pulgas a .
Esquadria- ângulo recto; corte em ângulo recto; instrumento de madeira ou metal com que se medem ou traçam ângulos rectos; esquadro;
Esquadro- instrumento com que se formam ou medem ângulos rectos e se tiram linhas perpendiculares; esquadria.
Esquentamento- Acto ou efeito de esquentar, acalorar. Pop.: gonoreia.
Estábulo- do lat. stabulu, Curral para gado, corte, malhada.
Estábulo- do lat. stabulu, Curral para gado, corte, malhada.
Estaca- Oliveira nova. Ramo de planta que se enterra no solo para ganhar raízes. Pau aguçado, também de ferro com uma argola, que se crava no solo e serve para segurar a corda que prendia o gado caprino e ovino quando pastava no campo. Ir prender o gado: significava tirá-lo do curral e levá-lo, preso, para a pastagem, operação que, da parte da manhã, se realizava pelas 10 horas- antes a erva estava molhada e fazia mal. À tardinha, já ao anoitecer ia soltar ou buscar o gado, que era conduzido ao curral onde pernoitava. Sempre preso para poupar as árvores de fruto, as couves, feijões, sempre tão cobiçadas por cabras e ovelhas.
Estacal- Terreno plantado de estacas. Olival novo.
Estafa- Grande trabalho, fadiga, canseira.
Estafado- Fatiado, cansado, exausto. Gasto pelo uso.
Estafermo- Espantalho, basbaque, pessoa sem préstimo.
Estalada- Bofetada com a mão. Alguma coisa partida, rachada.
Estalagem- Hospedaria, albergaria, pousada, abrigo.
Estampilha- Bofetada*.
Estarola- Pessoa estroina e leviana. Doidivanas.
Estercar- Adubar a terra com esterco ou estrume. Estrumar.
Esterco- Estrume animal ou vegetal para adubagem dos terrenos agrícolas.
Esterqueira- Estrumeira, lugar imundo, monturo.
Esterroar- Desfazer os torrões de terra. Desterroar.
Estiar- Cessar de chover, tornar-se seco (o tempo )
Estilha- Lasca de madeira, fragmento, cavaco. Estilhaço.
Estio- Verão. Idade madura.
Estirada- Longa caminhada. Estiraço, estirão.
Estonar- Tirar a pele ou a casca a. Semelhante a descascar, pelar. (Dic.da AC.Lisboa, I 2001, 1585). Tirar as tonas(folhas) às maçarocas(espigas) do milho.
Estopa- Tecido fabricado com a parte grosseira do linho.
Estopada- Porção de estopa. Fig: Maçada, impertinência, enfado.
Estorninho- Pássaro conirrostro, da famíla dos estrunídeos, de penas variadas ou então negras, com bico comprido e pontiagudo.
Estortegar- Torcer, deslocar. Estorcegar.
Estrada real- De Lisboa a Castelo Branco, um caminho mais alargado, de Abrantes passava por Mouriscas, Penhascoso, Mação, Vila da Lapa, Venda Nova, Água Quente, Sarnadas e Castelo Branco.
Estradalhaço- Espalhafato, barulho, balbúrdia.
Estrado- Sobrado. Um pouco levantado acima de um pavimento; estrado para a braseira: base que auorta a braseira de metal.
Estrafegar- Esganar, estrangular, afogar.
Estragação- Destruição, desperdício, deteriorado. Coisa estragada
Estravantar- Deixar de chover e vinda de bom tempo. Leventar o tempo.
Estrelado- Que tem estrelas. Diz-se do ovo ou ovos fritos sem serem batidos.
Estrema- Limite, demarcação de terras, feita com marcos de pedra e mais tarde de cimento. Estremadura, estremo.
Estreme- Que não tem mistura, puro, genuíno.
Estremunhado- Estonteado com o sono, mal desperto. Estrovinhado.
Estribo- Peça de metal ou de madeira em que o cavaleiro firma o pé. Ossículo do ouvido interno.
Estroçoar- Partir aos bocados.
Estroina- Pessoa extravagante, doidivanas, boémio.
Estronca- Pau que impede que o cabeçalho do carro poise no chão. Espera*.
Estrovo- Fio que prende o anzol à linha de pesca. Fig. Embaraço.
Estrugido- Tempero culinário feito com cebola e gordura. Refogado.
Estrugir- Cozer cebola em gordura, deixando-a transparente e com uma cor que vai do branco-marfim até ao castanho. Refogar.
Estrumada- Estercada*.
Estrume- Esterco*.
Estufado- Processo de cozedura que consiste em cozer um alimento em peça, lenta e suavemente, nos seus próprios sucos e nos sucos de outros alimentos que lhe são adicionados: guisado.
Estupor- Pessoa de más qualidades. Estapor(pop.).
Esturrar- Torrar em excesso, estorricar. Criar esturro na comida.
Esturricar- Torrar muito. Secar até ao ponto de parecer queimado.
Esverçar- Esfregar as couves galegas umas contra as outras e espremê-las, depois de segadas e lavadas, para o caldo verde.
Esvidar- Limpar a vinha das vides*, após a poda.
Eucalipto- Eucalyptus globus Labill, Género de árvores mirtáceas oriundas da Austrália. O seu xarope cura a tosse e alivia os brônquios. Pop.: ecalitro.
Faca- Instrumento cortante composto de lâmina de gume e de cabo.
Facalhão- Grande faca. Facão. Era com ele que se matava o porco no dia da matança.
Faceira- A carne dos lados do focinho dos bovinos.
Faceiras- Correias da cabeçada que cingem o freio* da cada lado.
Fagulha- Centelha, faúlha, chispa de lume.
Falatório- Murmuração. Ruído de muitas vozes.
Falcão- Ave de rapina utilizada na caça de altanaria.
Falcatrua- Fraude, ardil, vigarice.
Fanfarrão- O que lardeia valentia, sem a possuir. Gabarola, cheio de bazófias.
Fanga- Antiga medida de cereais e de sal de 4 alqueires. Medida de azeitona de 20 litros.
Fangueirada- Pancada com o fangueiro.
Fangueiro- Fueiro*.
Fanico- Desmaio, chilique. Migalha, pedacinho. Fazer em fanicos: fazer em pedaços.
Fardo- Coisa ou um conjunto de coisas, mais ou menos pesadas e volumosas, destinadas a ser transportadas. Por ex. Fardo de palha. O que custa a suportar ou o que impõe responsabilidades.
Farelos- A parte mais grossa da farinha depois da primeira peneiração. Resíduos grosseiros dos cereais moídos.
Farinha- Pó a que se reduzem os cereais depois de moídos.
Faro- Olfacto excessivamente apurado dos cães e de outros animais. Cheiro. Pressentimento.
Farrapada- Amontoado de farrapos*.
Farrapeiro- Homem quee anda pelas povoações recebendo trapos e dando em troca agulhas, linhas, botões, .. .
Farrapo- Pano roto ou muito usado. Trapo. Pessoa maltrapilha.
Farto- Saciado, satisfeito, atulhado, abarrotado. Enfastiado, , cansado, esgotado.
Fataça- Tainha grande, muge.
Fateixa- Arpão com que se tiram objectos do fundo da água.
Fatia- Pedaço de forma achatada, delgada e comprida de pão, queijo, ... . Talhada.
Fatilho- Espécie de almofada circular que se coloca no pescoço dos animais, por detrás do bornil.
Fato- Roupa exterior, vestuário.
Fava- Planta leguminosa hortense de semente comestível. Vagem ou semente dessa planta. Tem um sentido fálico. Faveira.
Faval- Terreno semeado de favas.
Fazenda- Prédio rústico, propriedade agrícola.
Fechadura- Aparelho de madeira ou de metal que, por meio de uma ou mais linguetas e com o auxílio de chaves, fecha portas, gavetas, ... .
Fedelho- Criança que cheira a cueiros, rapazito, criançola.
Fedor- Cheiro nauseabundo
Feijão- Semente ou vagem do feijoeiro*. Feijoeiro. Feijão frade(Vigna sinensis, Stickm)
Feijoada- Preparado culinário de feijões.
Feijoeiro- Planta leguminosa que produz feijões.
Feira- do latim=dia de festa, Lugar público e descoberto onde se expõem e vendem mercadorias. Balbúrdia.
Felosa- Pequeno pássaro dentirrostro. Pop.pessoa magra e fraca.
Fenestra- Janela, fresta.
Feno- Erva ceifada e seca ao sol destinada à alimentação do gado. Planta gramínea.
Fermento- Substância ou agente orgânico que tem a propriedade de determinar a fermentação noutra substância. Levedura. Crescente.
Ferrada- Vasilhas de barro ou de cortiça para a ordenha do leite das cabras e ovelhas.
Ferrado- Ferrada*.
Ferrador- O especialista que ferra os animais: gado cavalar, bovino, muar e asinino. No desempenho da sua profissão usa um avental de couro( carneiro ou bezerro) preso à cintura, que prende à cinta com a ajuda de uma correia com fivela. Utiliza a bigorna para afeiçoar as ferraduras* e canelos*, que é uma peça de ferro, calçada de aço, assente num banco de madeira onde se fixa por meio de um espigão. Utiliza no seu ofício as seguintes ferramentas: a turquês para cortar as pontas dos cravos*, depois enterrados nos cascos dos animais, para arrancar ou que foram muito metidos ou para arrebitar o bico do cravo ou seja dobrá-lo para não cair; o martelo para pregar os cravos; o formão para aparar os cascos dos animais; a grosa para grosar o caso antes e depois de aparado; o martelo de orelhas para pregar o cravo ou para arrancá-lo quando ficou pouco metido; e os cravos. Os bovinos e outros animais- muares e asininos- mais bravios, durante a operação são encurralados dentro do tronco* do ferrador: estacas grossas de pinho ou carvalho ou outra madeira resistente. O animal quando está a ser ferrado está também seguro: nos cornos por uma corda; por baixo da barriga por uma cilha, que se prende no sarilho. Ofício que antigamente tinha Regimento na Colecção do Senado de Lisboa, de 1572.
Ferradura- Peça de ferro que se forja e afeiçoa de modo a adaptar-se na face inferior dos cascos de bovinos, cavalares, muares e asininos. A ferradura, para além da sua própria função que é a da proteger as patas dos animais, passou a ter um extraordinário valor simbólico e supersticioso, em virtude da substância e da forma: é de ferro logo o seu poder contra a feitiçaria. A sua forma está ligada ao culto da Lua: vê-se na ferradura uma espécie de meia-lua, que convencionalmente, representa o crescente. Também significa atropelamento e por extensão, expulsão, aniquilamento dos maus espíritos. Para que produza efeitos, sempre depois de usada, deverá ser pendurada na porta da casa, por dentro ou por fora. Para o mesmo efeito usam-se ferraduras nos estabelecimentos comerciais, nos moinhos e azenhas, nos lagares de azeite, na cerca do porco. Ao que parece de origem germânica. Bolo de ovos e açúcar que tem a forma de ferradura.
Ferrar- Pôr ferro em. Colocar ferraduras nas bestas. Para o gado vacum diz-se pôr canelo que consta: de uma parte vertical(unha), outra horizontal() e cravos.
Ferraria- Fabrico de ferragens. Loja ou arruamento de ferreiros.
Ferrarias- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Ferreirinha- Pássaro conisrrostro, que no Verão aparecia em Mouriscas e era caçado com costelas.
Ferreiro- O artífice que trabalha com o ferro e o transforma em vários objectos ou peças, que vende. Pássaro conisrrostro. Ofício que antigamente tinha Regimento na Colecção do Senado de Lisboa, de 1572. Pássaro conisrrostro, que no Verão aparecia em Mouriscas.
Ferrejo, do lat. ferragine, Ferrã, centeio, cevada ou centeio que se ceifa antes de espigar para alimento do gado.
Ferroada- Picada com ferrão, aguilhoada.
Ferrolho- Tranqueta corrediça de ferro que serve para fechar portas e janelas.
Ferro-velho- Homem compra e vende objectos usados e de pouco valor, deslocando-se pelas casas das pessoas.
Fervura- Estado do líquido que ferve. Ebulição.
Festa- Dia de descanso, de regozijo, comemoração. Solenidade religiosa ou civil.
Festão- Ramalhete de flores e folhagem. Ornamento em forma de grinalda, ligeiramente curva.
Festeiro- O que faz ou dirige uma festa. O que gosta e frequenta festas.
Figa- Pequeno objecto em forma de mão fechada que se usa , supersticiosamente, como esconjurador de malefícios, doenças, ... . Trata-se de um resquício de um simbólico fálico da mão.
Figo- Fruto da figueira utilizado na alimentação humana, na engorda dos porcos e no fabrico de aguardente. Quando secos ao sol tomam a designação de passas. O xarope de figos secos, com pimpenela*, cura os catarros e as constipações.
Figueira- Ficus carica, L, árvore frutífera da família das moráceas, cujo fruto é o figo. O seu suco, colocado sobre as picadas do lacrau atenua a dor, evitando inflamações. O Segundo o agoiro não é bom estar à sombra da figueira, nem quando faz trovoada, e quem cai dela abaixo quase sempre morre. Quem queima folhas de figueira em casa onde se cria criança, seca o leite à mãe.
Filhó- Bolo frito feito de massa finta. Plur. Filhós. Também se diz filhós no singular que no plural passa a ser filhoses. Este doce é feito de farinha de trigo levedada. Fabricam-se na sertã, em azeite a ferver, deitando um pouco de massa estendida até se cozer ou fritar. As filhós comem-se frias ou quente, especialmente pelo Natal e Ano Novo.
Filhós- Cul., Bolo pequeno de farinha, ovos e outros ingredientes, que depois de frito é polvilhado com açúcar, canela ou passado por calda de açúcar. (Dic.da AC.Lisboa, I 2001, 1748).Ver bolo.
Finta- Imposto. Lêvada(massa)
Fintar- Fazer levedar a massa do pão, dos bolos; crescer. (Dic.da AC.Lisboa, I 2001, 1755). Enganar.
Finto- Que levedou, fermentou ou se fintou. (Dic.da AC.Lisboa, I 2001, 1756).
Fisga- Forquilha a que se prende um elástico ou borracha usada pelas crianças para atirar pedras aos pássaros. Arpão para pescar.
Flanela- Tecido de lã fina, pouco encorpado.
Fleimão- Tumor inflamado. Freimão.
Flosa- Folosa, felosa*.
Foçar- Revolver com o focinho, escavar. Acto muito próprio dos suínos.
Fogaça- do lat. focacia<focu=fogo, espécie de bolo*grande. Bolo ou presente que em festas populares se oferece à Igreja depois se vende em leilão. Aramações fantasiosas com ramos e fitas garridas, que levam as pessoas nas procissões.
Fogaceira- Cestos com frutas, bolos, cereais, pão, ... , enfeitados para o efeito. Rapariga que leva a fogaça nas festas religiosas.
Fogacho- Chama súbdita, pequena labareda. Fogaréu.
Fogagem- Erupção na pele, borbulhagem.
Fogareiro- Utensílio de barro ou de ferro com fornalha para cozinha, a carvão ou a lenha.
Foguete- Peça de fogo de artifício que sobe na atmosfera, onde deflagra ou derrama fogos de variadas cores. Utilizavam-se, abundantemente, pelas festas. Mouriscas é uma terra importante no fabrico de foguetes, de fogueteiros.
Fogueteiro- Fabricante de foguetes e outro fogo de artifício: fogo-do-ar, fogo-preso e fogo-aquático.
Foição- ferramenta para cortar erva ou feno(foice)
Foice- Instrumento curvo, com gume serrilhado ou dentes, para ceifar ou melhor segar, muito utilizado no corte dos cereais e outras ervas. É composta de : bico, costas, dentes, que servem para cortar caules mais duros, espigão que entra no cabo, argola de ferro e rabo ou cabo, em madeira. Também existem foices de gume liso. Os dois tipos de gume estão ligados a duas formas de actuação funcional: no de serrilha o manejo é lento, enquanto no liso é lento.
Foínha- Pessoa avarenta. Fuinha.
Fole- Instrumento para fazer vento para activar a combustão. Saco de pele, normalmente de cabra, ou de pano para transportar cereais e farinha destinas a fazer pão. Taleiga/o*
Folha- Órgão apendicular, de forma variada, geralmente plano e de cor verde que se desenvolve no caule e nos ramos das plantas. Parte cortante de alguns instrumentos.
Folhedo- Conjunto de folhas caídas de árvores. Folhagem.
Fona- Azáfama, lufa-lufa. Andar numa fona: Trabalhar ou agir depressa, sem descanso. Indivíduo fraco, vagaroso.
Fontaínha- Pequena fonte*. Em Mouriscas há um lugar denominado Fontaínhas.
Fonte Branca- Lugar habitado de Mouriscas, que fica na parte sul.
Fonte- Nascente de água. Na fonte rudimentar a água bebia-se por uma folha ou telha. Chafariz, bica artificial donde corre água para uso doméstico.
Fonte Sapo- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Fontes existentes nas Mouriscas: Fonte da Cré, Fonte da Ladeira, Fonte da Venda, Fonte dos Amores, Fonte dos Pinheiros, Fonte Ferro, Fonte Sapo, .Fonte do Surdo, ... .
Forca- Forquilha*. Armadilha.
Forcado- Instrumento de lavoura formado de uma haste terminada em duas ou mais pontas, de madeira que serve para voltar os montes de trigo na eira, quando da sua malha, para carregar e descarregar mato, de suporte de ramos de árvore, videiras e para ajudar a espalhar a lenha do forno quando da cozedura do pão. Forcalho. Forqueta.
Forcalho- Forcado.
Forja- Fornalha, folhe e bigorna de se servem os ferreiros e outros artífices. Oficina de ferreiro.
Formão- utensílio de ferro para abrir cavidades na madeira; instrumento cortante de que se servem os ferradores para cortar o casco da besta.
Formiga- Pequeno insecto himenóptero da família dos formicídeos.
Formigueiro- Buraco onde vivem e se recolhem as formigas.
Fornada- Aquilo que se coze ou assa de uma só vez no forno.
Fornalha- Local onde se acende o lume e arde a lenha ou outro combustível. Lugar excessivamente quente, calor intenso. Lareira.
Forneira- Mulher que trata de um forno ou é a sua dona. Há um lugar em Mouriscas com a designação de Forneira.
Forno- Construção abobadada, de tijolo próprio, ladrilhada a tijolo, com uma porta, para cozer pão, assar carne, ... . Ao interior do forno chama-se cogruta e ao ladrilhado o lastro. São apetrechos do forno: a pá, o rodo, o forcado, ... .
Forqueta- Pau bifurcado, isto é, com duas pontas. Forcado.
Forquilha- Forcado pequeno, de madeira ou metal de três ou mais dentes rectos no plano do cabo. De ferro, que serve para juntar estrume, colocar o mato nas estrumeiras, fazer as camas dos animais, carregar e descarregar mato, e de pau para limpar o pão das eiras, é composta por: dentes, coração da forquilha, por esta estar no centro e cabo.
Forragem- Erva para a alimentação do gado.
Forrica- Dejecções quase líquidas. Excrementos das galinhas. Furrica.
Forricoso- Matéria muito líquida. Figos forricosos: muito moles, cheios de água.
Fraco- Sem forças, débil, franzino. Mole, frouxo, pouco atilado. Bebida com pouco álcool.
Frade- Membro de uma comunidade religiosa. Variedade de feijão também designado por feijão preto, de duas caras ou fingido.
Fragateiro- Tripulante de fragata no Tejo, que fazia viagens entre Mouriscas e Lisboa.
Fralda- Parte inferior da camisa que, habitualmente, ficava dentro das calças. Sopé.
Fraldeiro- Molherengo, amaricado, efeminado.
Francalete- Correia afivelada.
Francela- Tabuleiro de pinho, levemente inclinado, de vários tamanhos, com abas e uma bica para escorrer o almece da coalhada, onde se faz o queijo. Tem travessas ou beiras e assenta em quatro pernas ou pés. Queijeira, barrileira.
Franga- Galinha nova que ainda não põe ovos.
Franganota- Franga crescida. Rapariga casadoira.
Franganote- Franganito. Rapaz já espigado. Frangalhote.
Frango- O folho da galinha já crescido, mas de ser galo.
Frasca- Louça de mesa, bateria de cozinha.
Frasco- Vasilha de vidro, geralmente, de boca estreita e gargalo curto, destinado para líquidos e compotas.
Frega- Grande quantidade. Máximo, auge.
Freguês- Habitante de uma freguesia. O que compra ou vende ou presta um serviço, habitualmente, a certa pessoa. Cliente.
Freguesia- Subdivisão do concelho. Clientela de uma loja ou taberna e de um moleiro..
Freio- Peça de metal presa às rédeas, que se introduz na boca das bestas e serve as guiar. Travão, sujeição, obstáculo.
Freixo(Fraximus, L)árvore da família das oleáceas, que cresce junto aos rios e ribeiras.
Fresca- Aragem agradável que sopra ao cair da tarde, em dias quentes. Fresquidão. Cozido há pouco, não salgado.
Fresco- Não muito frio, ameno, agradável, aprazível. Cozido há pouco, não salgado
Fressura- Conjunto de vísceras de alguns animais, como o porco, o cabrito, o borrego, e que inclui fígado, baço, pulmões e corações.
Fressura- do lat. frixura= frigideira*, Conjunto de vísceras mais grossas de alguns animais, como pulmões, fígado, coração, ... .
Fresta- Abertura estreita em parede. Fenda, frincha. Espécie de janela muito alta e muito estreita.
Fretar-Alugar, ceder a frete.
Frete- Aluguer de carro, animal, embarcação, ... . O que se paga por um transporte ou coisa trasportada. A oferta dos pais dos noivos aos padrinhos feita antes do casamento, constituído por um ou mais tabuleiros que comportam: 1 perna de carne fresca, de cabra ou ovelha, bolos , arroz doce, 1 ou 2 garrafas de vinho, ... . Os padrinhos ofereciam louça fina, roupas da cama, ... .
Friagem- Muito frio. Frialdade. Tempo muito frio. Frieldade.
Frieira- Inflamação com inchaço e prurido produzida pelo frio. Pessoa comilona.
Frigir- Cozer na frigideira, com unto, banha, azeite ou outra substância gordurosa ou oleosa. Fritar.
Frincha- Fenda, fresta, greta. Pequena abertura.
Friso- Banda ou tira pintada na parede. Ornato de escultura.
Frito- Alimento cozinhado com gordura ou óleo muito quente. Bolo pequeno de massa frita, polvilhado com açúcar e canela. Semelhante: Coscorão, filhó, fritura, sonho. (Dic.da AC.Lisboa, I 2001,1824).
Fritura- Qualquer coisa frita. Fritada.
Fronha- Espécie de saco cheio de lã ou outra substância macia que forma o travesseiro ou almofada.
Frunco- Corruptela de furúnculo, Inflamação circunscrita de origem estafilocócica, em torno de uma glândula sebácea e de um pelo e que termina, habitualmente, por supuração. Freimão. Fleimão.
Fruta- Frutos comestíveis.
Fruteira- Árvore frutífera. Cesto ou vaso em que se põe a fruta.
Fruto- O produto da terra para sustento do homem. Filho, prole. Utilidade, proveito, resultado. Produto, rendimento.
Fueirada- Pancada com fueiro.*Conjunto de fueiros.
Fueiro- do lat. fanariu=relativo a corda. Estaca ou pau delgado, aguçado numa das extremidades que, enfiado nos buracos do chedeiro*, serve para amparar a carga do carro de bois.
Fuinha- Pessoa avarenta, magra e mexeriqueira.
Fulano- Designação vaga de pessoa incerta ou de alguém que não se quer nomear.
Fuligem- Substância negra e espessa que o fumo dos combustíveis deposita nas paredes da conduta das chaminé, nas paredes e nos tectos da cozinha.
Fumeiro- Armação de madeira, sobre a lareira, destinada a secar e a defumar os enchidos, para os conservar.
Continua
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Linguagem e Cultura nos meados do dec. XX(10)

 

(Continuação)

 

Covil- Local onde se acoitam as feras. Local onde se ocultam a lebre e o coelho bravo. Taloca, toca.
Covo- Côncavo, fundo. Gaiola usada na pesca. Em Mouriscas existe o casal de Vale Covo, sito na margem direita da ribeira do Rio Frio, perto da sua confluência com o rio Tejo.
Coxim- Espécie de sofá, formando leito, sem costas, com fundo fofo e delgado. Parte da sela em que se assenta o cavaleiro.
Coxo- Aquele que coxeia ou manqueja. Manco.
Cozer- Preparar ao lume, especialmente, alimentos; submeter à acção do calor: cozer o pão no forno; Fazer ferver em água: cozer couves, .... . Sofrer a acção a acção do lume, da água a ferver, do calor.
Cozido- Que teve cozedura, que cozeu, que ferveu. Prato composto de alimentos cozidos. Cozido à portuguesa: o prato de culinária composto de carne de vaca e de porco( chispe,, orelha, ... )chouriço, farinheira e outros enchidos, toucinho, presunto, batatas, cenouras, nabos e várias hortaliças, tudo cozido demoradamente a fogo lento e servido juntamente com arroz, também cozido.(G.E.P.B., 7, 981)
Cozinha- Compartimento de uma casa onde se preparam os alimentos. Preparação da comida. Arte de preparar os alimentos.
Cozinhar- Preparar, cozer alimentos ao lume.
Cozinheira- Mulher que se ocupa da cozinha*. Mulher que cozinha nas festas do baptizado e do casamento, cujas refeições eram servidas em casa dos pais .
Crava- Indivíduo que é useiro e vezeiro em pedidos de dinheiro, cigarros, ... .
Cravanço- Acção praticada pelo crava*.
Craveiro- Planta de jardim cuja flor é o cravo.
Cravelho(a)- Peça de madeira com que se fecha a porta do curral dos animais.
Cravo- Prego de cabeça saliente e larga empregado, especialmente, para fixar as ferraduras* das bestas. Flor do craveiro. Condimento utilizado na cozinha. Instrumento de corda. Verruga*.
Cré- Greda branca.
Crecer- O mesmo que crescer.
Creolina- Substância anti-séptica, extraída do alcatrão, com cheiro muito activo, com que desinfectavam as cercas dos porcos, e outros locais doentios para os animais domésticos.
Crepitar- Produzir uma série de estalidos, com a lenha mato ou sal que arde.
Crescente- Que cresce, aumenta, se desenvolve. Massa de pão atrasada, utilizada como fermento, na massa de pão que se deixa a levedar. Fermento do pão. Fase da lua.
Crescido- Desenvolvido, aumentado, grande em altura.
Crescidos- Sobra, sobejos de comida com que se faz uma nova refeição. Desenvolvidos, aumentados.
Crestar- Queimar levemente, chamuscar. Extrair o mel das colmeias, colhendo parte dos favos.
Cria- Animal recém-nascido, de mama.
Criação- Geração. Conjunto dos seres criados. Produção dos animais domésticos que servem para a alimentação do homem.
Criada- Mulher ou rapariga assoldadada para os serviços domésticos duma casa, pessoa ou estabelecimento.
Criadeira- Que cria bem. Ama de leite.
Criado- Que se criou, produzido, alimentado, gordo, educado. Homem ou rapaz contratado para os serviços domésticos ou agrícolas.
Criança- Ser humano que se começa a criar*. Menino ou menina. Diz-se da pessoa ingénua ou de pouco juízo.
Criar- Dar existência a . Originar, gerar, produzir, alimentar, sustentar, amamentar, educar. Encher- se de pus.
Criatura- Cada um dos seres criados. Homem ou mulher, indivíduo, pessoa.
Crina- Pêlo comprido do pescoço e da cauda do cavalo, bem como de outros animais.
Crista- Excrescência carnosa na cabeça de certos galináceos.
Crivar- Passar por crivo, joeirar, furar em muitos pontos. Encher. O tio Manel ficou crivado de mordidela de abelhas.
Crivo- Espécie de peneira de arame para limpar, joeirar, o grão dos cereais e outros grãos. Colocados dentro do crivo a pessoa que o empunha provoca movimentos laterais ou circulares, separando os resíduos mais finos e pesados dos mais leves e mais volumosos. É constituído de um aro circular em madeira e o fundo em espiral, de arame entrelaçado, firme, que fica seguro na bordadura(com dois reforços em madeira) num dos reforços, podendo o mesmo fundo também ser de chapa de zinco com crivos, mas pouco usual na nossa região. Joeira.
Cru- Que não está cozido, que não sofreu a acção do lume ou calor. Sem preparação, que ainda não tem cultura. Cruel, desumano, áspero, rude. Pano cru: tecido de algodão que não foi corado depois da tecedura.
Cubo- Cada uma das cavidades que, nas rodas hidráulicas, recebem a água que as põe em movimento. Cale* coberta que leva a água ao rodízio*.
Cuco- Ave trepadora do género cuculo, de penas escuras. Alimenta-se de insectos e larvas prejudiciais à agricultura. Põe os ovos em ninho alheio. Chega a Portugal nos meados e Março e parte em Julho.
Cucúrbita- Parte inferior do alambique que recebe as substâncias a distilar. Abóbora.
Cueiro- Pano em que se enfaixam as criancinhas, especialmente, a parte das nádegas.
Cultivar- Fazer na terra os trabalhos necessários para a tornar fértil. Amanhar, granjear Formar, dedicar-se, consagrar-se a.
Cultivo- Amanho, cultura, cultivação.
Cumeada- Série se cumes. Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Cumeeira- A parte mais alta do telhado. A trave do cume do telhado.
Cunca- Conca, escudela, malga, tigela. Patela*, pedra ou coisa equivalente para jogar à malha.
Cunha- Instrumento de ferro ou de madeira, para fender pedras, madeira, ... .
Danado- Que tem raiva. Danado, irritado, irado.
Debulha- Operação que consiste na separação das espiga dos grãos de milho, trigo, centeio, cevada ou aveia, ou das vagens secas o feijão ou grão de bico, trabalho feito nas eiras ou em casa. Ver malha*.
Decer- Corruptela de descer.
Décima- Imposto que se pagava pelos rendimentos havidos.
Dedal- Pequeno cilindro de metal ou outra matéria que uma pessoa que costura coloca na extremidade do dedo para empurrar u fundo da agulha. Pequena quantidade.
Dedeira- Couro que envolve o dedo indicador ao fazer-sr o serviço da ceifa.
Dejua- A 1ª refeição do dia. Desenjum.
Demão- Camada delgada de cal, tinta ou de qualquer outro material fluido ou pastoso, que se estende a pincel ou à brocha, sobre uma superfície, seja parede, porta, ... .
Demasia- O que é demais, excesso, sobejo, troco*.
Dente- Cada um dos orgãos cobertos de esmalte, engastados nas maxilas, que servem para a mastigação dos alimentos. Dente ou dental: Parte do arado que serve de base ao instrumento composta por : o ferrão, ferro ou folha, placa de ferro colocada na parte anterior do dente e que o reveste, evitando o seu desgaste; as aivecas, uma ou duas, de madeira ou de ferro; o mexilho, haste de ferro ou de madeira que ampara e conserva abertas as aivecas; o teiró ou ateiró, peça de pau ou de ferro que prende o dente ao temão e que serve também para regular a profundidade da lavra; e o pescaz, cunha que serve para segurar ou fixar o ateiró.
Dentuça- Dentadura. Dentes.
Depurar- Tornar puro, limpar, clarificar.
Derreado- Curvado, alquebrado, muito cansado, extenuado
Derregar- Tornar líquido um corpo sólido por meio do calor ou outro agente. Liquefazer-se, derreter.
Derriço- Pessoa que namora: namorado ou namorada.
Derruba- Acção de derrubar, deitar árvores abaixo. Derrube.
Desabado- Que desabou, se desmornou, caiu, abateu.
Desabafo- Dizer francamente o que pensa, dar largas ao sentimento reclacado.
Desabotoar- Fazer sair os botões das casas. Desapertar*.
Desapear- O mesmo que apear, descer.
Desapegar- O mesmo que despegar. Separar-se, desprender-se, soltar-se.
Desapertar- Desligar, desatar, desabotoar*.
Desaprender- Esquecer o que se aprendeu.
Desarvorado- Desordenado, sem direcção definida.
Desasado- De asas caídas ou quebradas, derreado*.
Desatilado- Que não tem tino, adoidado, desatinado.
Desatolar- Tirar do atoleiro, desatascar.
Desatravancar- Desobstuir, desocupar, desembaraçar.
Desatrelar- Tirar da trela, soltar, desprender, desligar.
Desavezar- Tirar o vezo a, desabituar-se, desacostumar-se.
Desbagoar- Tirar bagos nos cachos de uvas. Esbagoar.
Desborcelado- Vaso de barro com as bordas ou borcelos partidas.
Desbotado- Que perdeu a cor ou o brilho. Desmaiado, descorado. Botado
Desbotar- Perder a viveza da cor, diminuir o brilho.
Descabeçar- Diminuir a altura, encolher, baixar.
Descamisada- É a operação que consiste tirar as camisas, folhelho ou capa às maçarocas do milho, trabalho efectuado, geralmente, à noite, por grupos de rapazes e raparigas convidados para o efeito. Desfolhada.
Descante- Canto especialmente popular, de várias vozes, acompanhados de instrumentos de música, que se fazia depois das ceifas e da apanha da azeitona.
Descarapuçar- Tirar a carapuça, destapar, descobrir-se ou desbarretar-se.
Descargar- O mesmo que descarregar e descarnar.
Descarnar- Separar os ossos da carne.
Descarolar ou escarolar- Tirar, com as mãos o grão de milho da espiga, separando o grão do carolo*.
Descodear- Tirar a côdea a: descodear o pão.
Descolhar- Corruptela de descoalhar ou descoagular. Derreter, tornar líquido. Descolhar o azeite: No Inverno, tempo de frio intenso, torná-lo líquido com a ajuda do calor.
Desembarrigado- Quem tem a barriga ou roupa interior à mostra por trazer a camisa ou as calças mal apertadas. Desbarrigado.
Desenbandeirar- Cortar as bandeiras do milho. Desbandeirar. Descanar, descapelar.
Desencamisada- Acção ou efeito de descamisar o milho. Descamisada*.
Desenganchado- Tirar do gancho. Tirar o gancho ou ganchos.
Desengonçado- Que saiu dos gonzos ou estes estão em mau estado. Desconjuntado, desarticulado, desajeitado.
Desenvergonhado- O que não tem vergonha, insolente, descarado, desaforado. Desavergonhado.
Desenxaivido- O mesmo que desenxabido. O alimento que não tem sabor, que é insípido, que não tem sal.
Desfolhada- Descamisada do milho. Esfolhada.
Desmaio- Perda de sentidos, geralmente, de curta duração. Enfraquecimento, perda de cor.
Desmancho- Desarranjo, avaria, desordem. Aborto.
Desmazelo- Desleixo, incúria, desalinho.
Desmoutar- Cortar, arrancar as moitas, roçar, desbravar.
Desnocar- Corruptela de esnocar. Tirar da articulação, esgalhar, quebrar os ramos.
Desougar- O mesmo que desaugar e desogar.
Destilar- Separar pelo calor, em vasos fechados, a parte volátil de uma substância da parte fixa: desilar os figos secos e recolher a aguardente.
Destilaria- Fabrica de destilação. Lugar ou instalação de alambiques. Existiram em Mouriscas pelo menos duas destas fábricas artesanais, que transformavam os figos secos em aguardente.
Destinar- Reservar para um certo fim, determinar antecipadamente. Destinar o almoço ou jantar para amanhã.
Destrambelhado- Disparatado, desnorteado, desorganizado, amalucado.
Destravado- Amalucado, desvairado. Soltar, desligar o travão.
Diluir- Misturar com água. Desfazer num líquido, dissolver.
Dinheiro- Qualquer espécie de numerário que serve de intermediário na troca de produtos.. Bens, posses, riqueza.
Dobadoura- Aparelho simples e pouco pesado, transportável, feito de madeira de pinho, castanho ou outras, que serve para dobar fios.
Doçaria- Lugar onde se fabrica ou vende doces. Arte de fazer doces.
Dono- Aquele que tem ou possui alguma coisa. Proprietário.
Doutor- Penico, bacio.
Ecalitro- Corruptela de eucalipto.
Eira- Espaço, de forma circular, para malhar os cereais, feijão, ... , e secar figos e outros frutos. De forma circular, com um diâmetro de 7 ou 8 de metros, de terra batida, de cimento ou de calçada com pedra lousinha ou conhos(calhaus rolados) ligados com cal, dependendo a natureza da sua construção das posses económicas de cada lavrador. No primeiro caso, para a sua construção escolhe-se um terreno duro, bem exposto ao sol e ao vento, que depois é barrado com bosta de bovino, que depois de seca permite que nele se malhe e se varra. A bosta de boi não é tida por imunda. Com ela também se barra a porta do forno. Isto porque o boi é bento. O centro da eira era um pouco mais elevado para facilitar o escorrimento das águas. Em volta da eira construía-se uma parede/muro, com cerca de 0,50 metros, que servia de resguardo e evitava que a palha e os grãos saíssem da mesma. No Inverno tapava-se com palhiço de modo a evitar que a geada fizesse estalar a chão.
Eirado. O pão que está na eira pronto para ser malhado em cada dia.
Em bem não- Daqui a pouco, daqui a nada. Espere um pouco que os homens em bem não estão aí.
Embaçar- Entupir, tapar, embuchar. Este marmelo embaçou-me.
Embarrar- Dependurar. Feijão de embarrar: aquele que cresce muito, verticalmente, com a ajuda de canas enxeridas na terra.
Embeiçar- Estar unido com. Atrair a simpatia, o amor. Enlevar, apaixonar.
Embirrar- Birrar, ter e fazer birras, implicar. Ter aversão a, antipatizar com pessoa ou coisa.
Emborcar- Virar para a boca, entornar, beber, despejar para dentro da boca. Pôr- se borco, virar-se de cima para baixo.
Embraçar- Suspender, suster com braçadeira. Embraçar cebolas: colocá-las em braços, isto é, agrupá-las com a ajuda da rama seca e de um baraço que são entretecidos ou entrançados.
Embriaguez- Estado de uma pessoa embriagada, cuja razão está perturbada pela absorção de vinho, álcool, ... .
Emolhar- Juntar em molhos os cereais ceifados. Enmolhar.
Empalamado- Achacado, doentio, pálido, anémico.
Empanturrado- Muito cheio, enfartado, empazinado.
Emparelhar- Pôr, colocar em parelha. Jungir, unir juntar.
Empata- Pessoa que empata, que estorva, que não deixa resolver nada.. Empecilho, desmancha-prazeres.
Empenho- Aproveitamento da influência de alguém para se conseguir algum fim Pessoa que serve empenho. Cunha.
Empinar ou Impinar- Pôr a pino, erguer verticalmente, levantar ao alto, a direito. Decorar: empinar a lição.
Empôla- Bolha aquosa que se forma na pele, designadamente nas mãos ou nos pés, provenientes de certos trabalhos, de queimaduras ou de grandes caminhadas.
Empolar- Fazer criar empolas, inchar.
Empranhar- Tornar prenhe, engravidar. Emprenhar.
Encanamento- Acção ou efeito de encanar, de colocar cano ou canos. Conjunto de canos. Canalização.
Encaraçar- Com caraça, que traz caraça*. Mascarado.
Encardido- Mal lavado, sujo, enxovalhado.
Encarrapitar- Empoleirar, trepar, pôr- se sítio alto.
Encascalhar- Pôr cascalho em, cobrir, encher com cascalho.
Encavar- Meter na cava, escavar. Encabar, pôr cabo.
Encertado- Corruptela de encetado. Tirado parte, começar a gastar, estrear.
Enchedeira- Utensílio em forma de cone terminado em tubo, funil pequeno, que serve para encher as tripas de carne de porco. Enchideira.
Enchedoiro- Parte da moeira formada por peças de couro, na parte superior do pírtigo.
Enchido-
Enchido- Aquilo que se encheu, que serve para encher. Carne de porco metida em tripa: morcelas, chouriços, mouras, farinheiras e paios.
Enchido- Aquilo que se encheu, que serve para encher. Carne de porco metida em tripa: morcelas, chouriços, mouras, farinheiras e paios.
Enchó- Instrumento de carpinteiro para desbastar madeira. Inchó.
Encilhar- Pôr cilha a. Arrear.
Encosto- Rolo almofadado, chamado suadouro*, que se colocava no pescoço dos animais antes do burnil* para proteger o animal.
Encouchado- Que encouchou, curvou, encolheu.
Encouchar- Curvar, encolher.
Encrenca- Situação complicada ou difícil. Dificuldade, embaraço.
Encrer- Enquerir*.
Enfadado- Cansado, desgostoso, aborrecido.
Enfardar- Juntar em fardo, empacotar.
Enfarpelar- Vestir ou vestir-se com fato novo, com traje domingueiro.
Enfarrapar- Vestir de farrapos.
Enfeirar- Fazer compras na feira.
Enfeite- Adereço, atavio, adorno, ornato, ornamento.
Enfeixar- Juntar, atar em feixes ou molhos.
Enfolar- Empolar*. Fazer fole.
Enfornar- Meter no forno.
Enfrascado- Bêbado, embriagado, emborrachado.
Engaço- Alfaia agrícola composta por duas peças fundamentais: o pente de ferro ou de madeira e o cabo em madeira que entra no encabadoiro com olho. Com três ou mais dentes de ferro serve para descarregar o estrume das terras, para cavar terras e enterrar sementes que não gostem de ficar muito fundas. Ancinho. O pecíolo dos cachos das uvas:- O que fica do cacho depois de tirados os bagos ou bagulhos
Engadanhado- Que tem as mão hirtas de frio. Estar encolhido.
Engadanhar- Enregelar, tolhido, inteiriçado de frio.
Enganar- Usar de artifício para induzir em erro. Iludir. Enganar o estômago ou a fome: locução popular bem demonstrativa a alimentação insuficiente, na qualidade e quantidade, que comia o povo português.
Enganchar- Prender, sujeitar com ganchos. Suspender, prender, espetar com gancho.
Engarnais Cimeiros- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas. Em PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, PORTUGAL- Diccionário Histórico, Chorográphico, Bibliográphico, Heráidico, Numismátco e Artístico, 1904, Vol. III 1909, p.145, aparece escrito Engarnaes Cimeiras, uma povoação da freguesia de Mouriscas.
Engarnais Fundeiros- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas. Em PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, PORTUGAL- Diccionário Histórico, Chorográphico, Bibliográphico, Heráidico, Numismátco e Artístico, 1904, Vol. III 1909, p.145, aparece escrito Engarnaes Fundeiras, uma povoação da freguesia de Mouriscas.
Engarrafar- Guardar em garrafa ou garrafas.
Engasgar-se- Obstruir a garganta com um objecto que impede a fala ou a falta da respiração. Perder o fio ao discurso.
Engatar- Ligar, prender, juntar sujeitar, fechar por gato ou engate. Prender as cavalgaduras ao carro por meio do engate. Ter relação ou conexão, enlaçar. Seduzir, consquistar alguém.
Engate- Acto de engatar. Sedução. Conquista.
Engelhado(a)- Produzir pregas ou dobras em. Murchar, avelar, enroscar.
Engelhar- Enrugar, produzir pregas. Murchar.
Engenho- Faculdade de conceber e executar com arte, habilidade e talento. Astúcia, ardil, estratagema. Aparelho para tirar água dos poços, rios ou ribeiras. Engenhos de tirar água: a picota* e a nora*. Máquina, maquinismo.
Engonhar- Trabalhar com engonha. Entreter, fingir que se trabalha. Preguiça para trabalhar, mandrião.
Engrolada(o)- Que se engrolou, quase cru, mal assado: castanhas engroladas. Engorolado.
Enguia- Peixe de água doce, em forma de cobra que servem para confeccionar óptimos preparados culinários. Eiró.
Enguiçar-. Fazer bruxedo, dar quebranto, mau olhado a.
(Continua)
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Linguagem e Cultura nos meados do dec. XX(9)

(Continuação)

 

Cerâmica- Arte de oleiro. Fabricação da louça de barro e de outros objectos baseando-se na propriedade que os barros têm de formar com a água uma pasta ligada, plástica, , que depois de cozida se torna resistente e inalterável. A sua cozedura tem lugar em fornos apropriados à produção e utilização do calor. Olaria.
Cerca- O espaço vedado onde se cria o porco. Pocilga*. Vedação de determinado espaço.
Cerda- Pêlo de javali, porco e outros animais geralmente dura e áspera. É usada pelos sapateiros na ponta dos fios quando cose o calçado à mão.
Cereal- Relativo a pão, próprio para pão. Designação aplicada a qualquer semente ou fruto capaz de ser reduzida a farinha rica em amido e susceptível de ser empregada na alimentação do homem e às plantas que a produzem. Os principais cereais, que pertencem quase exclusivamente à família das gramíneas, são: o trigo, cevada, centeio, aveia, arroz, os vários milhos e o sorgo. A sementeira de cereais(trigo, centeio, cevada e aveia) fazia-se do seguinte modo: Atava-se a ponta de uma corda ou cordel a uma parte de um saco e a outra ponta ao fundo do mesmo saco, do mesmo lado, pondo-se o saco à tiracolo, sobre a anca esquerda, com a boca para a frente. O agricultor vai andando, com passo certo e com a mão direita, vai buscar à boca do saco punhados de grão que, com arte, espalha por igual sobre todo o terreno.
Cereja- Fruto da cerejeira*.
Cerejeira- Árvore de fruto que produz a cereja. Conhecida por Prunus avium Lin, da família das rosáceas. Madeira dessa árvore. Cerdeira. Os frutos, suco e pedúnculos dos frutos possuem propriedades medicinais, sendo utilizados no combate à artrite, indigestão, gota, obesidade e obstipação.
Ceroilas- do ár. sarawil=que cobre as pernas, Peça de vestuário que os homens usam por debaixo das calças. Ceroulas.
Cessão=Cesão, Frescura, humidade na terra.
Cesta- Utensílio geralmente de verga, ou outros vegetais entretecidos, com asa, destinado para guardar ou transportar frutas, roupas, mercadorias, ... . Cesto.
Cestada- Um cesto ou cesta cheia de algo.
Cesteiro- Fabricante ou vendedor de cestos*.
Cesto- Cesta pequena sem asa.: cabaz fundo. Cesta.
Céu- Espaço ilimitado em que se movem os astros. O espaço visível que fica por cima de nós. A morada de Deus e Santos.
Cevada- (Hordeum vulgare, L), Gramínea cerealífera, o seu grão, cujo o emprego comum são: alimentação de animais domésticos, na culinária e no fabrico de cerveja.
Cevar- Dar ceva a. Nutrir, fazer engordar, fartar.
Chá- Infusão feita com folhas de várias plantas aromáticas ou medicinais. Fig. Censura, admoestação, repreensão.
Chafarica- Pop.Baiúca, botequim, taberna.
Chafurda- Lama que o porco fossa e revolve. Imundície, casa suja, pocilga*. Cerca*.Chiqueiro.
Chaga- Ferida aberta, a escorrer sangue, a supurar. Aquilo que causa prejuízo a algo ou alguém.
Chalado- Gir.Amalucado, pírulas*.
Chale- Peça quadrangular de pano, que dobrada em diagonal, se usa aos ombros para agasalho especialmente pelas mulheres. Chaile.
Chaleira- Vaso em que primitivamente se aquecia a água para chá e que, hoje, se emprega para fazer ferver a água para qualquer fim.
Chama- Gás ou vapor levado à incandescência. Labareda, flama. Fig. Paixão, entusiasmo, ardor, vontade.
Chambaril- Pau curvo, com cerca de 50 cm e encaixes nas extremidades, nos quais se enfiam os tendões nas patas traseiras do porco(jarretes) para pendurá-lo e abri-lo, depois de morto e preparado.
Chamiça- Corda de esparto que liga os alcatruzes da nora.
Chamiço- Acendalhas de lenha miúda, de ramos delgados para acender o lume. Chamiça*. Sobrenome de pessoa.
Chaminé- Lugar de uma casa onde se acende o lume para prepara a comida ou para aquecer o ambiente e que comunica com o exterior por meio de um tubo, uma abertura, que tem o mesmo nome. Construção de alvenaria, tijolo, cimento armado ou folha de ferro que se eleva acima do telhado e serve para dispersar na atmosfera o fumo de uma fogueira. Lareira. Tubo de vidro dos candeeiros de petróleo, de gás, ... . Qualquer tubo ou cano destinado à saída de fumo.
Chamuscar- Queimar de leve, crestar. Chamuscavam-se as aves e o porco depois de morto.
Chamusco- Acção ou efeito de chamuscar. Chamusca, chamuscada.
Chanca- Calçado de sola de pau, espécie de tamanco ou soco. Calçado grande e grosseiro. Pop. Pé grande.
Chancas- Socos de cabedal.
Chanfalho- Qualquer utensílio deteriorado e velho. Chanfalho.
Chanfana- Espécie de guisado, sarrabulho, sarapatel. Especialmente guisado de bofe que esteve em voga no séc. XVIII.
Chapa- Peça estirada, delgada e plana de qualquer matéria. Distintivo com numeração e mais elementos de identificação de carros, bicicletas, cães, … . Bater de chapa: de frente, em cheio. O sol a bater de chapa na cara. Pop. Pedaços de pano que utilizavam para remendar a roupa rota que se cosia sobrepostos ao tecido original.
Chapada- Gir. Bofetada, pancada com a mão na cabeça ou na cara. Roupa chapada: roupa remendada em que colocam pedaços de tecido sobrepostos ao tecido roto.
Chapar- Pôr chapa em, cobrir com chapas. Chapear*.
Chaparral- Mata de chaparros*.
Chaparro- Sobreiro* ainda novo.
Chapear- Forrar, cobrir com chapas ou chapas.
Chapéu- Qualquer cobertura, com abas e copa, para resguardar a cabeça. Cobertura que encime qualquer objecto e que se assemelhe a chapéu. Chapéu de sol, chapéu de chuva: armação coberta de pano para resguardar do sol ou da chuva. Sombrinha. Tirar o chapéu: cumprimentar, cortejar alguém.
Chapim- Pássaroconirrostro.Mengengra*.
Chapinhar- Bater na água com as mãos, pés ou outro objecto.
Charco- Lugar onde há água estagnada, lamacenta. Poça, lodaçal, atoleiro.
Charoeiros- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Charrua- Alfaia agrícola para lavrar a terra. Espécie de arado* de rodas e aiveca de ferro.
Charrueco- Charrua pequena. Charrua ordinária. Carro sem qualidade.
Chasco- pássaro dentirrosto, chamado cartaxo
Chata- Gir. Mulher aborrecida, importuna, causticante.
Chatear- Gir.Importunar, maçar, aborrecer.
Chatice- Gir. Coisa aborrecida, macante, que importuna.
Chato- Que é plano, raso, sem elevação. Gir. Diz-do indivíduo maçador, importuno, causticante. Pop. Piolho* do corpo.
Chavascal- Lugar imundo, baiúca, chiqueiro, pocilga*, cerca*.
Chave- Instrumento com que se faz funcionar uma fechadura*. Peça de metal empregada para manobrar as fechaduras das portas, gavetas, palheiros, … . è geralmente formada por uma haste cilíndrica, terminada de um lado em argola ou pega, tendo do outro uma aba lateral ou palhetão, plana ou curva, recortada de variadíssimas formas, dependendo do género de fechadura a que se aplica. Pode ser macha ou fêmea: a primeira é de haste maciça, que se introduz no buraco da fechadura; a segunda tem a haste oca correspondendo à broca daquela.
Chavelha- O pau ou ferro que segura o cabeçalho do carro e a canga ao tamoeiro. Peça da moeira ou mangual, também chamada cunha, que serve para apertar firme os brochos*, fixando melhor o pau ou pirto ao sedouro. Chavelhão
Chavelho- Pop. Ponta de corno*. Chifre*. Chavelhudo, cornudo*.
Chavelhudo- Que tem chavelhos. Fig. Diz-se daquele que a mulher desleal, infiel. Corno.
Chávena- Pequeno vaso com uma asa para tomar líquidos.
Chavo- Moeda de valor íntimo. Quantia insignificante. Não ter um chavo: não ter dinheiro.
Chazada- Porção de chá. Fam. Chávena de chá.
Chedeiro- Tabuleiro do carro de bois.
Chegadela- Fam. Repreensão, descompostura, reprimenda, censura. Chegada.
Chegadiço- Que se chega, metediço.
Cheia- Aumento do caudal de um rio, especialmente, em consequência das chuvas. No passado as cheias eram normais no rio Tejo. Pop. Diz-se da mulher grávida.
Cheio- Que encerra o máximo que pode conter. Muito cheio= chinho.
Cheiro- Aroma, perfume. O cheiro do alecrim, colhido no dia de S.João queimado livra as casas dos raios. Pop. Anecril.
Chiada- Quantidade de chios. Barulho de vozes agudas que ralham, troçam ou riem.
Chiadeira- Grande e prolongada chiada*.
Chiba- Cabra pequena antes de criar. Chibita. Cabrita.
Chibarro- Bode pequeno castrado.
Chibata- Varinha delgada e flexível com se fustiga a calvagadura, se castigam os animais ou pessoas.
Chibatar- Bater com a chibata.
Chibato- Cabrito, chibo*.
Chibo- Macho da cabra quando pequeno. Chibito. Cabrito.
Chica- Dem. muito frequente de Francisca.
Chiça- Exclamação de surpresa, protesto, desprezo: chiça que é de mais
Chícara- Espécie de tigela com asa para beber líquidos
Chícharo- Planta leguminosa de grão comestível.
Chichi- Inf. Urina. Fazer chichi: acção de urinar.
Chicote- Corda trançada de fibra ou de couro, geralmente, lida a uma cabo e que serve para fustigar e castigar os animais.
Chifrada- Pancada com chifre. Marrada*.
Chifre- Cada uma das pontas da cabeça de certos animais. Corno, chavelho.
Chilique- Fam. Acidente nervoso ou histérico. Fanico*, desmaio*.Perda de sentidos.
Chimbalau- Pop. Grande prejuízo, sério contratempo.
Chincho- Molde de vime, tabuínhas, metal ou plástico, com orifícios ou não, em que se aperta o queijo sobre a francela* para lhe espremer o almece*. Achincho.
Chinela- Calçado de mulher que deixa o peito do pé descoberto, que não tem contraforte e geralmente com salto.
Chinelo- Sapato* de trazer por casa, raso ou com salto muito baixo.
Chinfrineira- Barulheira, algazarra.
Chinguito- Pequena porção de líquido. Chingo.
Chinha- Pop.Que está cheia, repleta.
Chinho- Pop .Que está cheio, repleto.
Chinquilho- Jogo praticado por rapazes e homens, que consiste em deitar um paulito abaixo com uma malha de ferro, que pode ter um orifício ao centro. Malha*.
Chio- Acção de chiar. Voz aguda de vários animais, como o pardal e o rato. Som agudo produzido pelo atrito de duas os mais peças.: O chio do carro de bois.
Chiqueiro- Curral onde se criam porcos. Pocilga Cerca. Sítio imundo sem limpeza e arrumação.
Chispe- Pé de porco.
Choça- Cabana rústica coberta de colmo,.
Chocalho- Espécie de instrumento metálico, cilíndrico ou cónico, a modo de campaínha. Tem badalo de pau, com pé e argola presa à meã e esta ao céu. Usa-se especialmente para atar ao pescoço do gado para se conhecer onde se encontram. Escalho.
Chocar-Cobrir os ovos com a agalinha para que, com o calor, se desenvolvam os germes e nasçam os filhos. O ovo apodrece durante a incubação é um ovo gorado. Por ext. Trazer em si o germe de uma doença: ele há muito que anda a chocar uma doença.
Choco- Diz- se da ave que está a chocar e do ovo no período de incumbação. Diz-se do ovo que apodreceu.
Chocolateira- Cafeteira, vasilha de folha para ferver a água.
Choramingas- Pessoa que choraminga, que chora a miúdo, sem motivos bastantes.
Chorão- O que chora muito. Choramingão, lamechas.
Choro- Acção de chorar, pranto, derramamento de lágrimas. Derramamento de seiva nas plantas.
Chorume- Banha, matéria gorda de um animal. Líquido concentrado que es corre do estrume e usa recolher-se nas nitreiras ou outros locais próprios.
Choupo-( Populus, L), Árvore de grande porte, da família das salicáceas, que produz madeira leve, muito porosa, com largas aplicações. Entre as propriedades medicinais de realçar: antiséptico, digestivo, diurético, expectorante, sudorífero, tónico.
Chouriço- Pedaço de tripa cheio de bocados de carne e gordura com temperos* e depois defumado. Saco cilíndrico e comprido cheio de serradura* ou areia que se coloca na parte inferior das portas ou janelas para impedir para impedir a passagem do vento.
Chucha- Objecto de borracha, boneca de açúcar ou outra coisa doce que se põe na boca das crianças para ficarem caladas. Chupeta.
Chuchar- Chupar, mamar.
Chulo- Reles, ordinário, grosseiro, baixo. Rufião* que vive à custa de mulheres.
Chumaceira- Peça metálica destinada ao apoio dos extremos dos veios dos motores e de transmissão de movimentos e que serve para evitar ou atenuar o atrito de outras.
Chumaço- Espécie de almofada ou travesseiro que serve para encher com material macio, como algodão, lã, estopa, sumauma.
Chumbado- Que tem chumbo. Diz-se do dente cujo o furo foi obturado ou se encheu com chumbo ou outra substância. Reprovado num exame ou concurso.
Chumbo- Metal gris azulado, muito maleável, dúctil e pesado e que tem muitas aplicações. Projéctil que expelem as armas de fogo, especialmente os grãos deste metal para caça miúda. Fam. Reprovação em exame, raposa.
Chupeta- Objecto em borracha, em feitio de bico de mamadeira, que se dá às criancinhas para chuparem de modo a entretê-las e ficarem caladas. Chucha.
Chusma- Grande quantidade, multidão.
Chuva- Precipitação de gotas de água devido à condensação do vapor de água existente na atmosfera.
Chuvada- Chuva passageira mas intensa.
Chuviscar- Queda de chuvisvos*.
Chuvisco- Chuva miudinha e passageira.
Cicatriz- Sinal de ferida ou chaga depois de sarada.
Cieiro- Asperezas, gretas ou pequenas feridas na pele produzidos pelo frio que aparecem nos lábios e sob as narinas e nas mãos.
Cigarro- Porção de tabaco enrolada num pequeno rectângulo de papel muito fino chamado mortalha*. Marcas de cigarro existentes nos meados do seo. XX : Mata Ratos, Provisórios, Definitivos, Três Vintes, ... .
Cilha- Faixa de tecido ou larga tira de couro que, passando por debaixo da barriga da cavalgadura, serve para segurar a sela ou albarda, não permitindo que ela oscile.
Cimalha- Saliência no topo da parede em que fixam os beirais.
Cimento- Espécie de argamassa feita com um pó de composição especial que serve para ligar e segurar fortemente pedras, tijolos, blocos, ... .
Cimo- Alto, cume. Pardacima: a subir algo.
Cinto- Faixa estreita com que se cinge a cintura e que se aperta com fivela*ou outro género de fecho.
Cinza- Resíduo ou pó que resulta da combustão* de certas matérias. Tirava-se todos os dias da lareira e do forno sempre que se cozia o pão. Eram aproveitadas como adubo e nas barrelas*.
Cinzento- Cor de cinza, gris, pardo.
Cipreste- Tal como o cedro, simboliza a imortalidade.
Cisma- Mania, birra, presunção.
Cismado- Relativo a cisma, que medita. Cismático.
Ciumento- Que revela ciúme, invejoso.
Coada- Aquilo que se coou, peneirou, filtrou.
Coado- Passado pelo filtro, purificado. Diz-se do pão de farinhas muito peneiradas de trigo, milho, centeio ou cevada.
Coador- Cesto, vaso, ralo, peneira, pano, ... com que se coa.
Coagulação- Passagem de um líquido ou substância dissolvida ao estado sólido*.
Coalhada- Leite coalhado, com que se faz o queijo. Importante alimento dietético muito apreciado pelos naturalistas.
Coalhar- Fazer perder o líquido a um corpo, transformando-o em pasta, massa. Pop. Colhar.
Coalheira- Produto próprio para provocar a coagulação ou coalho de certos líquidos. Quarta cavidade do estômago dos ruminantes. Espécie de almofada de palha ou de pano que se coloca em volta do pescoço das bestas de tiro, de modo a protegê-las., sobre a qual assenta o bornil.
Coalho- Substância de origem animal ou vegetal que tem a propriedade de coagular ou coalhar a caseína do leite. Há coalhos animais e vegetais. O coalho animal é segregado pelas glândulas gástricas dos mamíferos ainda não desmamados e retira-se do quarto estômago. Era normal as pessoas prepararem o coalho em casa. Muitos vegetais contem um suco coagulante, sobretudo nos órgãos verdes( hastes novas, rebentos, folhas) e flores. São particularmente ricos em coalho, o cardo e a sua alcaçofra. Os troncos novos de figueira também possuem a mesma propriedade. Estas plantas agem a temperaturas altas(60 a 90º e algumas coagulam mais facilmente o leite fervido do que o leite cru.
Coanha- Palhiço. Vassoura feita de giesta verde com que na eira se separam do grão os detritos da palha, que na limpa, atirando com pás de madeira o cereal contra o vento, sempre ficam mais ou menos no monte de trigo ou centeio já limpo. Coanho. Conho.
Coanheira- Espécie de vassoura feita com ramos de giesta ou de outra planta. Coanhadeira, coanha. Conheira.
Coar- Fazer passar por um filtro, depurar, filtrar.
Coaxo- Voz da rã e de certos batráquios..
Coberta- Cobertor de cama, colcha. Teto telhado. Cabra, ovelha, ..., cobertas: que foi ao bode e ficou prenhe ou pranha.
Coberto- Que tem alguma coisa por cima para proteger. Anexo para protecção do carro de bois, aprestos agrícolas, mato, lenha, ... .Alpendre, telheiro. Com o chapéu na cabeça. Cheio, carregado, repleto. Diz-se das iguarias ou furtas que têm camada de alcorce, de pó ou calda de açúcar.
Cobertor- Peça rectangular, geralmente, de lã ou algodão, que serve de agasalho e se coloca na cama por cima dos lençóis. Cobertor de selim: O que se usa, na cavalgadura, por debaixo do selim ou albarda, para que o animal não se magoe.
Cobra- Réptil de longo corpo cilíndrico e sem pés. Bicha. Pessoa de má índole, de maus fígados.
Cobranto- Quebranto*.
Cobrão- Erupção da pele. Cobrelo ou zona.
Cobre- Metal simples, de cor avermelhada, com muitas aplicações. Tachos de cobre: utilizados na cozedura das morcelas feitas no dia da matança do porco.
Cobrição: Acção ou efeito de cobrir. Especialmente a acção de cobrir o macho a fêmea. Levar a cabra à cobrição
Cobrir- Pôr alguma coisa sobre outra para tapar, proteger, ornar, ... . Atabafar, agasalhar, resguardar. Ter cópula, fecundar, falando-se de animais.
Coca- Acção de cocar. Estar à coca: espreitar. Objecto com que mete medo às crianças, papão.
Coça- Tareia, sova, tosa, surra, pancada. Coçadura.
Coçar- Esfregar com as mãos ou outro objecto alguma parte do corpo, especialmente, quando nela se sentem comichões. Bater, sovar, tosar, ... .
Cocar- Fam. Espreitar, observar, espionar.
Cocção- Operação que consiste em submeter os alimentos à acção do calor. Acção de cozer, cozimento.
Cócegas- Sensação especial, espécie de tremor espasmódico, produzida por leve roçar em certas partes do corpo ou em certas mucosas, e que provoca por vezes riso.
Coceira- Comichão, prurido. Doença de pele que faz coçar. Sarna*.
Cocharra- Colher.
Coche- Carruagem antiga e rica. Sege. Cocho*.
Cochichar- Falar em voz baixa, murmurar, segredar.
Cochicho- Acção de cochichar. Aposento muito pequeno, cubículo.
Cocho ou coucho- Gamela que serve para transportar a serventia para os pedreiros. Coche.
Cocó- Inf.O mesmo que caca. Fazer cocó: Defectar, evacuar.
Cócoras- Agachado ou quase sentado sobre os calcanhares. De cócoras: Agachado, sentado ou quase sentado sobre os calcanhares. Cócaras.
Cocoruto- A parte mais alta de alguma coisa, o cimo.
Códea- Parte exterior dura, crosta, casca. Particularmente a parte externa do pão, bolo, ..., endurecida pela cozedura. Pedaço de pão duro.
Codes- do latim cos-colis Pedra de afiar ou seixo rolado que também se aproveita para o mesmo fim.
Codorniz- Género de ave, menor do que a perdiz, do género Coturnix Moehring, sendo uma caça muito apreciada.
Coelha- A fêmea do coelho*.
Coelheira- Local fechado, onde se criam ou conservam os coelhos domésticos. Parte dos arreios que cinge o pescoço dos animais de tiro.
Coelho- Mamífero roedor de grandes orelhas, muito apreciado pela carne e pela pele desde há muito tempo, sendo de grande apreço na Idade Média. A cama que faz no mato, debaixo das ervas, para dormir, chama-se covil e o local onde fazem as suas necessidades touril*.
Coentrada- Molho adubado com coentros.
Coentro- Planta hortense, aromática, utilizada da alimentação humana como condimento ou tempero.
Cogulado- Que tem cogulo*, muito cheio.
Cogumelo- Nome dado a vários vegetais criptogâmicos, alguns comestíveis. Tortulho, míscaro, fungo.
Coice- Pancada que dão os animais, especialmente, as bestas, com as patas traseiras. Parte inferior de alguma coisa. Couce.
Coino- Alent. Vassouro de hastes empregada nas eiras. O mesmo que coanho* Conho.
Cóio- Abrigo de malfeitores.
Coirão- Alguém de má fama.
Colarinho- Gola que cinge o pescoço. Parte superior da camisa que se ajusta ao pescoço, feita com tecido leve.
Colcha- Pano lavrado com que se cobre a cama, por cima do cobertor. Coberta de cama.
Colchão- Espécie de grande almofada que cobre toda a extensão da cama e que se enche com matéria mais ou menos fofa, como lã, palha, camisas de milho, ... , que se coloca, geralmente em cima do enxergão*.
Colchete- Pequeno gancho de metal que prende na colcheta.
Coleira- Colar de couro, metal ou outra substância com que se cinge o pescoço dos animais, especialmente, dos cães. Rolo de palha coberto de palha que faz parte dos arreios do gado de tracção de carros.
Colete- Veste curta, sem mangas e geralmente sem abas, que se ajusta ao peito e à cinta e que usa por debaixo do casaco.
Colhar- O mesmo que coalhar.
Colheira- Espécie de almofada de palha que se coloca em volta do pescoço dos animais de tiro. Coalheira ou coelheira.
Colheita- Acção de colher produtos da terra. Produção agrícola de uma ano de determinado produto. Safra.
Colher- Utensílio de mesa composto duma parte côncova arredondada e de um cabo, que serve para levar alimentos à boca, especialmente, líquidos. Porção de le líquido que uma colher pode conter. Tirar ou apanhar frutos das árvores ou cortar flores.
Colherada- Conteúdo de uma colher cheia. Fam. Meter a sua colherada: intrometer-se, meter o bedelho.
Cólica- Qualquer dor mais ou menos violenta, que, por acessos, se manifesta na região abdominal.
Colmeia- Cortiço de abelhas onde vive o enxame.
Colmo- Haste herbácea oca, provida de nós, das gramíneas, como o trigo, a aveia, a cevada, o centeio. Refere-se em especial à palha com que cobrem cabanas e casas pequenas. O colmo de centeio utilizava-se nos enxergões e no fabrico de albardas e bornis.
Colo- A parte superior do peito, entre os seios e o pescoço. Regaço.
Comadre- Madrinha de uma criança com relação ao padrinho ou aos pais desta. Também se chamava comadre à parteira dos filhos. O dia das comadres ou quinta-feira das comadres: É a quinta-feira imediatamente anterior à terça-feira de Carnaval.
Combanido- Débil, fraco, enfraquecido, abalado, deteriorado, com faltas de forças físicas ou morais. Combalido.
Combareiro- Parede a amparar terras de cultivo
Cômboro ou cômbaro- Socalco. Combro. Cômoro*.
Combustão- Acto de queimar. Combinação de um corpo com o oxigénio acompanhada de luz e calor.
Combustível- Que tem a propriedade de arder, que se pode consumir pelo fogo. Qualquer matéria com que se pode fazer lume.
Comedia- Quantia que antigamente se dava para sustento. Pensão de alimentos. Comedoria.
Comedouro- Recipiente de pedra, madeira, barro ou outra substância, facilmente, lavável, em que comem animais. Manjedoura.
Comenda- Trata-se de um benefício ou rendimento que se concedia a eclesiásticos e a cavaleiros de ordens religiosas e militares como recompensa da prestação de serviços. Eram formadas e constituídas por esmolas e patrimónios dados à ordem religiosa pelos reis e pelos senhores cristãos. As primeiras chamavam-se balios ou bailios. Os tombos das Comendas eram inventários de terrenos demarcados e de declaração de direitos dos respectivos comendadores, portanto, direitos de posse.
Comensal- Cada um dos que comem juntos. Conviva.
Comezaina- Lauta refeição, abundância de comida. Patuscada.
Comichão- Sensação de picadas na pele. Prurido, coceira.
Comida- Aquilo que se come.Comida cozinhada: a alimentação que se come quente, geralmente em pratos: Feijões com couves, peixe, carne, arroz, batatas. Para as mondadeiras era o pão de centeio ou de milho que durava duas semanas. Alimento. Refeição.
Cominho- Planta umbelífera, cujos os grãos, os cominhos, fazem parte de várias especiarias.
Cómoda- Móvel geralmente rectangular, mais baixo que uma pessoa, cuja face superior forma mesa e provido de alto a baixo de gavetas e gavetões, em que guardam roupas domésticas e outros objectos.
Cômoro- Elevação de terreno, depois de lavrado e antes de gradado. Combro. Pop.: Cômaro ou cômbaro.
Compadre- Padrinho de uma criança, com relação aos pais desta ou à madrinha.
Companha- Grupo de pessoas que vão juntas para desempenhar alguma tarefa. O caso das companhas de ceifeiros mourisquenses que, até, 1958, iam para as ceifas do Alentejo, dirigidos por um manageiro.
Conchego- Amparo, agasalho. Aconchego. Pessoa que protege.
Conchelo- Planta crassulácea que cresce nas paredes e escarpas siliciosas e ensolaradas. Serve para curar feridas, calosidades e úlceras cutâneas.
Concherlas- Bivalves.
Condimento- O mesmo que tempero. Substância que dá gosto aos alimentos. Adubo.
Condimento- Produto aromático que tem a finalidade de fazer sobressair o sabor de um alimento.
Condutar- Comer o conduto. Gastar aos poucos, poupar.
Conduto- Alimentação que se come juntamente com o pão, com acompanhamento: chouriço, morcela, uma lasca de bacalhau, cebola crua, azeitonas, sardinha, queijo.
Confeito- Amêndoa coberta de açúcar e seco ao fogo. As madrinhas deitavam confeitos, no dia do casamento dos seus afilhados, que a moçarada apanhava do chão, avidamente.
Côngrua- A porção de renda ou frutos, dada pelos fiéis, que se considera necessário para o decoroso sustento do pároco da freguesia.
Conhar- Coanhar. Varrer com vassoura de giesta para separar o palhiço dos grãos, nas eiras. Coinhar.
Conhar- Varrer com a vassoura de giestas para separar a palha dos grãos.
Conheiras- Amontoado de calhaus rolados, possivelmente, provenientes da extracção de ouro, da época romana ou medieval. Montões de conhos* que foram retirados da terra arável. Existiam muitas na Cova do Madeiro, Mouriscas, talvez provindas da exploração aurífera havi há muitos séculos.
Conho- do lat. cuneus, Penedo isolado e redondo no meio do rio. Vassoura espalmada com que nas eiras, ao padejar o grão, se vão retirando alguns fragmentos de palha ou de carolo( acto de conhar).
Conirrostro- Aves que têm o bico curto e cónico.
Consoada- lat. Cum+sub+unare =reunir. Ceia da noite de Natal em que é servida a bacalhoada: bacalhau demolhado, batatas, ovos, cebolas, cenouras e couves portuguesas.
Contribuição braçal- Trabalho que nos meios rurais os homens prestavam no arranjo dos caminhos públicos ou em obras colectivas. Em vez de dinheiro o Estado cobrava a contribuição em trabalho manual.
Convite- Oferta, presente, que se dá alguém como agradecimento de um favor que se recebeu. Então não convidaste o fulano de tal?
Copa- Compartimento da casa onde se guardam os mantimentos e objectos do serviço de mesa. A parte superior das árvores. Conjunto de peças de roupa.
Copázio- O conteúdo de um copo grande.
Copo- Vaso mais ou menos cilíndrico ou conoidal, por onde se bebe.
Cora- Acção de branquear a roupa*.
Corar- Dar cor a. Branquear panos. Tomar cor: A carne já está corada. Enrubescer, avermelhar-se, ruborizar-se.
Corar- Tornar um alimento louro, cozendo-o, com gordura, numa frigideira ou no forno.
Corda- Peça de fios unidos e torcidos, uns com os outros, e que serve para atar, ligar objectos entre si. São fabricadas de esparto, cânhamo, sisal, etc.. Corda de enquerir: corda com que se dispõe, em cima da albarda, a carga de cada lado do dorso dos animais de modo a equilibrar-se.
Cordão- Corrente de ouro usada como jóia no peito e no pescoço.
Cordeiro- Cria da ovelha cuja idade não excede um ano. Borrego.
Cordeiro- Cria da ovelha cuja idade não excede um ano. Borrego.
Cordel- Corda fina; guita, baraço, fio.
Cordovil- Variedade de azeitona, que depois de adoçada, é utilizada para a alimentação por ser mais grada do que a galega.
Coreto- Espécie de palanque ou coro, construído ao ar livre, para concertos musicais.
Corga- Sulco profundo entre dois montes. Córrega.
Corja- Quantidade de gente baixa e grosseira. Malta, gentalha, canalha.
Cornacha- Espécie de penacho com fitas de várias cores que ornamente a testeira das bestas.
Cornada- Pancada com os cornos, marrada.
Cornal- Corneira*.
Cornear- Pôr cornos a. Atraiçoar um esposo ao outro.
Corneira- A correia que prende os bois, pelos chifres ou cornos, à canga ou jugo. Para cada canzil uma corneira. Soga.
Corno- Apêndice que certos animais têm na cabeça e lhes servem, ordinariamente, de arma defensiva ou ofensiva. Pode ser usado na vida diária, como vaso de beber, recipiente de líquidos, designadamente, vinho, azeite, para guardar sementes raras, para chamamento, mas a sua maior importância está relacionada com o mundo das crendices e superstições. Serve de amuleto contra os maus olhados- coloca-se nos currais, nas casas particulares e de negócios- e como enfeite, pendurado nos fios e pulseiras das crianças. Também as cavalgaduras podem usar estes mesmos amuletos: gado muar e asinino. Chavelho, cifre. Marido a quem a mulher atraiçoa ou atraiçoou. Corna.
Cornudo- Que tem cornos. Marido a quem a mulher atraiçoa ou atraiçoou.
Coronha- Parte em madeira das armas de fogo portáteis em que se encaixa o cano.
Coronho- Feixe ou carga que se transporta às costas ou à cabeça.
Corpanzil- Corpo avantajado. Pessoa corpulenta.
Corpete- Peça de vestuário feminina que cobre o busto. Colete de mulher.
Corpo- A parte material de um ser vivo. Cadáver humano: velar o corpo do defunto; missa de corpo presente. De corpo bem feito: Com pouca roupa, desagasalhado. Espessura, consistência. Ser colectivo.
Corregedor- O mesmo que Ouvidor ou Juiz de Comarca.
Correia- Tira de couro ou de pele.
Corrilhão- Cravagem do centeio, que, durante a II Grande Guerra Mundial, atingiu elevados preços.
Cortadela- Golpe, incisão. Cortadura.
Cortiça- Casca do sobreiro e de outras plantas lenhosas.
Cortiço- Caixa de cortiça, mais ou menos cilíndrica, destinada à habitação das abelhas e onde elas fabricam o mel e a cera. Casa pequena, cochicho.
Coruja- Ave de rapina nocturna. Fig. Mulher velha e feia.
Coruto- O ponto mais alto de qualquer coisa. Cocoruto, cume.
Corvo- Ave carnívora, de penas pretas, da família das corvídeas.
Cós- Tira de pano que cinge e se aplica em volta de certas peças de vestuário.
Coscorão- Tira de massa de farinha de trigo, ovos, sumo de laranja, ... , que se vai enrolando à medida que se frita no azeite. Come-se com mel ou açúcar e canela. Cosco, coscorel, filhó.
Costelas. Armadilha de madeira e rede com que se apanham alguns pássaros com agúdias*.
Costil- Armadilha para apanhar pássaros, constituída por um arco de arame, com mola aramada sobre uma tabuínha e um gancho, a que está preso o isco. Ratoeira. Costelas*.
Costumado- Usado, acostumado. O que é usual. Acostumado, avezado.
Costume- Uso habitual, prática geralmente observada. Comportamento, procedimento
Costura- Acto ou efeito de coser. Profissão ou arte de coser ou seja o dar pontos, sendo também a união de coisas cosidas a fio.
Costureira- Mulher que desempenha a arte ou tem por ofício a costura*. Para poder costurar utiliza os seguintes utensílios: a máquina de costura, a agulha, o dedal, a linha e a tesoura.
Cotão- Pêlos que largam os panos. Cisco que se junta no forro e nos bolsos dos factos, por trás dos móveis e debaixo das camas.
Cotovia- Ave granívora conirrostra. É uma pequena ave campestre, de cor parda que se alimenta se sementes e insectos, útil para a agricultura.
Couce- Parte inferior de alguma coisa. Pancada com o calcanhar. Pancada que dão os animais, especialmente, as bestas, com as patas traseiras. Couceira*. Fig. Acto de ingratidão.
Couceira- Parte inferior da porta.
Coucho/cocho/cocha/coche-Espécie de prato de cortiça. Pequeno tabuleiro para transportar argamassa, terra, pedras. Porco*. Gamela*.
Courela- Belga comprida e estreita de terreno que se pode cultivar. Coirela. Antiga medida agrária de 100 braças de comprimento, por 10 de largura. Porção de terra estreita e comprida.
Couro- Pele espessa, tratada, de certos animais com muitos usos: calçado, arreios da cavalgaduras, encadernação de livros, ... .
Coutar- Vedar, tornar uma propriedade defesa, vedada.
Couto- Terra defesa que outrora gozava de privilégios. Terreno vedado onde apenas certas pessoas podem caçar.
Couvada- Tiborna de bacalhau e couves confeccionadas e comidas nos lagares de azeite, na época em que estes funcionam.
Couval- Plantação de couves.
Couve- Género de plantas hortenses crucíferas, com numerosas variedades, formas e aplicações domésticas. A couve portuguesa, a couve tronchuda, a couve-flor, .... A Couve ratinha ou galega: de caule muito elevado, simples com folhas de ordinário reunidas em roseta dá folhas todo o ano, atingindo uma altura de um homem. Tempo couveiro: tempo próprio para plantar couves.
Cova- Abertura na terra. Sepultura. Cova de bagaço: local onde se guardava o bagaço da azeitona destinado à alimentação dos porcos.
Cova de Madeiro- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Covacho- Cova pequena onde se deita a semente de feijão, milho, couve, ... .. aberta com um sacho*.
Coval-Divisão d terreno dum cemitério, no qual se podem abrir covas ou sepulturas.
Covão- Funda depressão de terreno. Grande cova. Em Mouriscas há um local chamado Covões até há poucos anos florestado de pinheiros bravos.
Coveiro- O homem encarregado do cemitério, que abre covas.
CONTINUA
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Lingua e Cultura nos meados do sec. XX(8)

 

 

(CONTINUAÇÂO)

Carqueja- Planta rasteira sub-arbústea silvestre, de flores amarelas, que, depois de seca, se emprega como acendalha e na matança para chamuscar o porco. Tem propriedades medicinais. O chá da sua flor serve para baixar a tensão arterial.
Carraça- Aracnídeo do grupo dos ácaros que se agarra à pele de certos animais, com relevo para os cães e aí vive, sugando o sangue. Também nos humanos provocando a febre da carraça.
Carrada- Aquilo que um carro transporta de uma vez. Grande quantidade de algo. Hoje, cedinho, fui buscar uma carrada de mato.
Carrapeteiro- Espécie de pereira brava. Carrapeta.
Carrapicho- Cabelo que se ata no alto ou na parte posterior da cabeça. Carrapito.
Carrapito- É um amontoado de cabelo, feito com tranças enroladas em espiral, sobre a nuca, tradicional penteado das mulher do campo, mantido com ganchos metálicos, de tartaruga ou de plástico.
Carrasca- Casca seca exterior dos pinheiros. Usava-se nas lareiras e para aquecer o forno, quando não havia abundância de melhores substâncias vegetais para o efeito.
Carrasco- Espécie de carvalho bravo arbustivo. Carrasqueiro.
Carraspana- Bebedeira, piela.
Carregadouro- Local onde se pode carregar. Pôr a lenha, feno, milho, figos ou a azeitona em carregadouro.
Carrego- Acção de carregar. Carga ou fardo que se transporta à cabeça, aos ombros, ... . Carga*. Pôr em carrego: colocar em acção de ser carregado.
Carreira, Antigamente, se tomava pelo caminho, capaz de por ele passar e andar um carro, donde talvez tomou o nome. ( Lugar habitado da freguesia de Mouriscas. Vereda, carreiro. Caminho habitual por onde seguem os veículos, barcos, ..., com pontos fixos de passagem durante o trajecto. Carril*.
Carreira= carril, Antigamente, se tomava pelo caminho, capaz de por ele passar andar um carro, donde talvez tomou o nome. ( Viterbo, Eluc. II, 74)
Carreiro- Aquele que guia o carro de bois; caminho estreito de pé posto, vereda; caminho que as formigas seguem umas após outras.
Carreto- Roda dentada que engrena com outra. Carrete. Acarreto, transporte, frete*. Preço do frete
Carriça- Pequeno pássaro dentirrostro de cor castanho-escuro.
Carriço- Planta ciperácea. Macho da carriça.
Carril- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas. Trilho, sulco que deixam as rodas do carro. Carreiro, caminho estreito, atalho. Barra de aço sobre a qual giram as rodas de diversos veículos.
Carro- do lat. carru, Veículo para transporte de passageiros ou de carga, de duas rodas e de leito sempre rectangular, sendo constituídos por: rabeira, leito e príteca ou cabeçalho. Neste existia uma espera de madeira, que servia para manter o carro direito quando as bestas estavam desatreladas. Carro de mão: De uma roda que serve para transporte de pequenas porções: estrume, adubo, couves, ... .Carro de bois ou de bestas: aquele que é puxado, por ou dois, por bois ou parelhas para transporte de pessoas, mato, estrume, lenha, madeira, cereais, azeitona, pedra, ... .Também existia o carro de varais, puxado por um só animal. Na nossa região os carros eram leves, estrado rectangular, de eixo fixo e de roda alta, raiada, características que facilitavam a marcha.
Carroça- do it. carroza, Carro pequeno e grosseiro de varais, com taipais, para transportar carga e pessoas. Geralmente puxado apenas por um animal: macho, mula, burro ou burra. Raramente por um boi.
Carroceiro- Condutor de carroças. Fig. Indivíduo mal criado, grosseiro.
Carrocel- Aparelho colocado em feiras ou outras festas, movido por homens, bestas ou motor, em que animais figurados ou veículos giram à roda de um eixo central.
Cartaxo- Pássaro dentirrostro. Chasco*.
Carteira- Mesa para escrever utilizadas nas escolas. Espécie de bolsa, de couro, lona, ... , destinada a guardar documentos, dinheiro ou outro objectos.
Cartucho- Saca de papel pardo que se usava nas mercearias e outros estabelecimentos para guardar, arroz, açúcar, e outros géneros. Embrulho. Invólucro da carga da arma de fogo.
Caruma ou carumba- Folha de pinheiro. Nome colectivo das folhas secas do pinheiro, caídas e que serviam para a lareira, forno, estrumadas, camas do gado, ... . Agulha
Caruncho- Insecto coleóptero que corrói a madeira. Podridão, carcoma. Fig.Velhice, antiqualha.
Carunchoso- Cheio de caruncho, podre, carcomido.
Carvalhal- Mata de carvalhos.
Carvalheiro- Carvalho novo.
Carvalho- Grande árvore, de várias espécie do género Quercus lin.,cujo fruto é a bolota, sendo a sua madeira muito apreciada na marcenaria e construção civil. Medicinalmente está indicado para combater o alcoolismo, anginas, diarreia, frieras, gretas, hemorragias, hemorróidas, entre outras.
Carvão- Pedaço de lenha queimada ao abrigo do ar e não inteiramente consumida.
Casa- Edifício, especialmente o que serve para a habitação. Morada, prédio, moradia, lar. Estabelecimento de negócios.Casa de fora: divisão da casa pela qual se entra e sai na moradia e se destina aos banquetes dos casamentos, baptizados, matanças do porco. Casa de lume: dependência de habitação onde existe a chaminé, em cuja soleira se faz o lume para aquecimento no Inverno, se prepara a comida e se tomam as refeições.Casa do forno: Casa onde estava o forno de cozer o pão. Casa de telha vã: habitação ou divisão sem forro, com barrotes e telhas à vista. Muito fria no Inverno e quente no Verão.
Casacão- Casaco grande e largo, a modo de sobretudo*
Casaco- Veste com mangas, sem abas, para cobrir u busto do homem.
Casal- (de casa), Pequeno povoado, lugarejo, aldeia de poucas casas. Marido e mulher. Macho e fêmea.
Casal da Figueira- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casal da Neta- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casal dos Castanhos- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casal dos Cordeiros- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casal dos Lousos- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casal dos Vares- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casal Pita- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casalão- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casão- Casa grande, de grandes rendimentos. Casarão.
Casas Novas- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Casas Pretas- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Cascabulho- Casca que envolve algumas sementes. Escabulho.
Cascalheira- Lugar onde há muito cascalho. Local, ribeiras e rios, onde há pouca água e onde os peixes vão desovar: sável, bogas, ... .
Cascalho- Bocados de pedra, pedra em lascas. Mistura de areia, seixos e terra.
Cascalhos- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Cascar- Bater, sovar, espancar. Tirar a casca, descascar.
Cascarrão- Casca grossa das laranjas. Vinho cascarrão: vinho muito escuro.
Cascavel- Pequeno chocalho. Guizo*. Serpente venenosa.
Casco- Unha de solípedes ou ruminantes. Barril ou vasilha com aduelas.
Caseiro- Próprio de casa. Aquele que dirige uma quinta ou herdade de outrem.
Casmurro- Teimoso, caturra, cabeçudo.
Caspacho- Ver gaspacho*.
Casqueiro- Diz-se de um pão que tem muita casca ou côdea e por extensão negro e mal fabricado.
Castanha-. Do lat. castanea=castanha, Fruto do castanheiro*
Castanheiro- Género de árvores fagáceas cujo o fruto é a castanha. A sua madeira é muito apreciada na construção de mobiliário.
Castelo- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Catalão- Pop.Fruto do pimentão. Variedade de pimentão grande.
Catano- Órgão sexual masculino.
Catar- Procurar, pesquisar, examinar com atenção. Catar piolhos: Procurar os piolhos das cabeças, especialmente, das crianças, muito vulgares ainda num passado recente.
Catarro- Inflamação da mucosa, especialmente, das fossas nasais, da garganta e dos brônquios que origina uma secreção.
Cativo- Que desbota* facilmente. Que, devido à cor, torna mais visível a sujidade.
Catraia- Cachopa, rapariguita.
Catraio- Rapazinho, gaiato, miúdo.
Catrefa- Quantidade de pessoas, animais ou coisas. Caterva. Catrefada.
Catrina- Pop. Seio de mulher.
Caturra- Pessoa teimosa, aferrada às coisas antigas.
Cava- Um dos amanhos do solo, feito a braço, com o enxadão ou a enxada, em várias cultuiras, que se sucedem com vários intervalos.
Cavaca- Pedaço de lenha; cavaco, lasca de madeira. Utilizado para fazer lume. Cavaco. Bolo seco, leve e coberto de açúcar.
Cavada- Terra de mato que foi arroteada para nela semear centeio(Beira). Cava, lavra.
Cavadela- Golpe de enxada; enxadada. À primeira cavadela agúdias*= êxito na acção desenvolvida.
Cavador- Trabalhador de enxadão/enxada.
Cavalgadura- Besta cavalar, muar ou asinina. Pessoa estúpida, grosseira.
Cavalgar- Montar, andar a cavalo.
Cavalhadas- Divertimento popular e burlesco em que os parceiros vão montados em calvagaduras que tinha lugar durante as festas de verão.
Cavalitas- Ir às cavalitas, significa ir sentado nos ombros de uma pessoa. Acontecia com a rapaziada pequena que andavam às cavalitas dos familares, ... .
Cavalo- Animal doméstico da família dos equídeos(equus caballus) de corpo esbelto e musculoso, herbívero, que se utiliza para a montaria, carga e tiro e também na alimentação humana. Tronco de planta sobre que se faz o enxerto. O relincho do cavalo é sinal de gosto. Sonhar com cavalos é sinal de casamento.
Cavaqueira- Conversa amena entre vizinhos, amigos ou familiares.
Cavar- Cortar e revolver a terra com enxadão*, enxada, sacho, picareta ..., profundamente, para a remover ou fazer covas ou cavas e fins agrícolas.
Cavilha- Peça ou prego de madeira ou de metal para juntar ou segurar duas peças, por exemplo os alcatruzes das noras.
Cebola- Planta hortícola da família das Liliáceas, ( allium cepa Lin) e do seu bolbo comestível. Tem algumas aplicações medicinais: Faz desaparecer as verrugas e as impigens quando esfregadas com ela; o sumo de cebola com água faz desaparecer as lombrigas. Relógio de algibeira antigo, grande, espesso e arredondado. Relógio grande e de pouca qualidade. Pop. Pessoa moleirona, açorda
Cebolada- Molho adubado de cebolas; guisado em molho de cebolas.
Cebolo- Planta pequena de cebola que se tira do canteiro/viveiro para transplantar. Cebolinho.
Cedro- Árvore conífera que dá excelente madeira. Tal como o cipreste, simboliza a imortalidade.
Cegonha- do lat. ciconia. Ave pernalta de arribação. Picota*.
Ceia- do lat. coena, Refeição que se toma à noite e que geralmente era a última de cada dia.
Ceifa- do ár. çaifa=verão, acto de ceifar*. Segada. Colheita dos cereais; corte da seara. A ceifa à mão é ordinariamente efectuada com ranchos de ceifeiros, de ambos os sexos, munidos da foice*, que vão, dispostos em linha, cortando os colmos até juntar quantidade que a mão abarque, os “mantulhos” deitados depois sobre a terra, a constituir as paveias : Mais tarde aqueles eram juntos e atados com as nagalheiras formando os molhos, que agrupados constituíam os rolheiros ou as medas. Os ceifeiros usavam canudos que eram enfiados com o rabo estendido no dorso dos três dedos da mão esquerda (mendinho, vizinho e pai de todos) em três dedos e dedeira no dedo indicador(fura bolos), espécie de manípulo de coiro, que vem atar ao pulso com um cordão. O polegar( mata-piolhos) ficava livre. Com esta mão armada o ceifeiro agarra o cereal, ao tempo que a direita ceifa com a foice. Da porção abraçada pela mão( mancheia), tiram duas ou três espigas com que atam às outras. Ao feixe assim formado chamam mantulho, deitados depois sobre a terra. Do conjunto de mantulhos, que são apanhados e atados com as negalheiras pelo atador(homem ou rapaz), forma-se molhos, também atados com cordas feitas dos próprios cereais. Do conjunto de 12 molhos forma-se o relheiro que são levados para a eira e formam uma meda ou frascal. Numa companha de ceifeiros distinguiam-se: o companheiro: trabalhador que têm três ou mais anos de ceifa; o sobrenovel: o que vem pela segunda vez ao Alentejo; o novel: moço que vem pela primeira vez à ceifa, que pode ser um adulto, que vai buscar lenha, água e fazer recados.
Ceifar- Cortar cereais ou outros vegetais com foice, gadanha* ou máquina ou outro instrumento apropriado. Cortar, segar.
Ceifeira- Mulher que trabalha na ceifa, que sega as searas; máquina para ceifar
Ceifeiro- Homem que trabalha na ceifa, que sega as searas.
Celamim- Medida de capacidade que correspondia à décima sexta parte de um alqueire*. Celamil, salamil.
Celeiro- Lugar, casa, compartimento onde se arrecadam os cereais debulhados. Depósito de provisões.
Cementério- O mesmo que cemitério*.
Cemitério- Lugar sagrado onde se enterram os mortos.
Cenoura- Planta umbelífera, hortense, cuja raiz carnuda é comestível.
Centeio- Planta gramínea cerealífera, cujo grão moído dá uma farinha panificável, utilizada como mistura no fabrico do pão de milho. Diz-se da palha* e da farinha e do pão centeio*.
Cepa- Pé, caule de videira*; tronco. A parte inferior das árvores e arbustos, seja o tronco e as raízes, que se utiliza no fabrico do carvão. Não sair da cepa torta: Não progredir na vida. Ser de boa sepa: ser de família séria, honesta, trabalhadora.
Cepo- Pedaço de tronco de árvore cortado transversalmente, que servia de assento e para ajudar a trinchar* lenha e a cortar o matos para as estrumadas. Toro. A parte do arado* que entra na terra, isto é, a relha, as orelhas e o trenó.
Cera- Matéria mole, muito fusível, de tom amarelo claro, que as abelhas fabricam no seu cortiço.
(CONTINUA)
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Sábado, 6 de Janeiro de 2007

Lingua e Cultura nos meados do sec. XX(7)

 

(CONTINUAÇÃO)

Caneco- Caneca alta e estreita. Bacia de cama, penico.
Caneira- A haste ou caule do milho depois de colhida a espiga.
Canejo- Relativo a cão. Que tem as pernas tortas.
Canela- Casca odorífera de uma planta de Ceilão. Parte da perna entre o pé e o joelho. Pequeno canudo onde se enrola o fio para a tecelagem ou para coser na máquina de costura.
Canelada- Pancada na canela da perna. Muito vulgares quando os jovens jogavam à bola.
Canelo- Ferradura* própria para ferrar os bovinos que consta: de uma parte vertical(unha), outra horizontal() e cravos.
Canenhos- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas, sito na parte Sul, perto do Tejo.
Canga- ( de cangar), jungir à canga. Peça de madeira, com muitos feitios que junta os bois pelo pescoço para puxarem o carro, o arado, a grade ou qualquer objecto. A canga, que mantinha os dois animais em sincronia, assenta sobre o cachaço dos bovinos, alojando-se no pescoço destes por meio dos canzis ou cangalhos e prendendo-se ao cabeçalho do carro por intermédio do tamoeiro e da chavelha ou ao temão do arado. A sua fixação aos bois faz-se por meio de correias de couro fortes; feitas de tiras de pele do mesmos animal, as chamadas corneiras ou piaças que se ligam aos chifres. A canga compõe-se assim de: corneira ou piaça, correia que prende os chifres dos bois à canga; os cangalhos, com casela, paus de madeira que seguram a canga ao pescoço do boi e a brocha, corda feita de couro torcido que passa sob o pescoço e se prende aos cangalhos. Nos muares e asininos a canga é de ferro. Jugo.
Cangaço- ( de cambo), Engaço. O que resta das uvas depois de pisadas e de extraído o vinho. Beira: carolo de milho.
Cangalha- Especie de armação, em madeira ou ferro que se coloca em cima da albarda da bestas de carga e em que se equilibra a carga. No plural: óculos. Cair de cangalhas: dar queda de pernas para o ar. Cangalhas.
Cangalhada- Porção de coisas, geralmente, velhas, estragadas, de pouca utilidade. Trastes velhos, cacos, cacarecos, ... .
Cangalhas- Espécie de armação de madeira ou ferro que se coloca no dorso das besta, sobre a albarda, destinadas a transportar produtos de toda a natureza e cântaros ou bilhas de água. Cangalha*.
Cangalho- Cada um dos dois paus ou canzis* entre os quais encaixa o pescoço do boi ou o bornil*das muares ou asininos. Canga*. Canzil.
Cangar- do lat. conjugare, pôr a canga nos animais.
Canha- A mão esquerda
Canhenho- Registo de lembranças. Pequeno caderno de apontamentos.
Canhenhos- Lugar habitado da freeguesia de Mouriscas.
Canholas- As unhas de porco, que, no dia da matança, se tiram depois de aquecidas com lume.
Canhoto- Que trabalha ou escreve ou tem mais habilidade com a mão esquerda. Leva a mão esquerda à frente no cabo da enxada, da moueira, da roçadoura e a direita atrás. Canho.
Caniço- Cana fina.
Canícula- Época de grande calor. Tempo de grande calma e com temperaturas altas.
Canil- Pequena casa onde se abrigam os cães.
Canistel=canistetel, Canastra ou cesto de vime(ano 1395). ( Viterbo, Eluc. II, 66)
Canito- Cão pequeno.
Canivete- Pequena navalha*, com uma ou mais folhas com muitas utilizações na vida do campo.
Canoco- A haste/caule do milho depois de despida das folhas e das espigas.
Canoira ou canoura- Vaso que se coloca em cima da mó do moinho e onde cai o grão que vai ser moído. Moega*. Tremonha.
Cântara- Vaso semelhante ou igual ao cântaro*.
Cantareira- Móvel decorativo, rústico, de madeira, alto, com duas ou três prateleiras onde assentam os cântaros e asados da água fresca para consumo doméstica e se colocam pratos e travessas vistosas, com figuras de aves, flores ou animais e louça da cozinha, que se situa na divisão da entrada. Poial para cântaros* e asados da água.
Cantarinha- Pequena cântara.
Cântaro- lat. Cantharu – Vaso grande e bojudo para líquidos, de barro ou . Medida=1/2 almude. Destina-se ao transporte e armazenamento de água. Morfologicamente caracteriza-se por possuir boca estreita de bordos boleados ou uma pequena asa envasada e gargalo alongado de onde arranca uma asa em fita vertical que cola no bojo globular ou tronco-cónico invertido.
Canteiro- Talhão de jardim ou horta em que se cultivam plantas.
Cantil- Frasco ou botija em que se transporta bebida.
Cantilena- Cantiga monótona, simples maviosa.
Cantoneira- Prateleira móvel, ou fixa, com secção triangular que se adapta a um canto da casa.
Cantoneiro- Pessoa encarregada de olhar pela boa conservação e conserto de determinado lanço de estrada, chamado cantão.
Canudo- Tubo, geralmente, comprido, feito de cana grossa e destinado a atear/activar o lume da lareira. Dedeira de cana usada pelos ceifeiros para resguardo dos dedos quando da ceifa. São em número de três: para o mínimo, anelar e médio da mão esquerda, sendo, por vezes o indicador e o polegar resguardados por dedeiras de cabedal.
Canzil- Cada um dos espigões que prende na canga e desce de ambos os lados do pescoço do boi. Cangalho.
Canzoada- O conjunto de cães.
Cão- Quadrúpede carnívoro, doméstico que o homem utiliza , na caça, na guarda dos rebanhos, das casas, ... . É objecto de numerosos agoiros populares. Peça das armas de fogo. Termo injurioso contra pessoa vil, ruim. Dívida que fica sem pagamento.
Capa- Peça de vestuário larga e sem mangas que pende dos ombros e se usa sobre a outra roupa. Fig. Acolhimento, protecção, protector, pretexto.
Capacete- Cobertura de metal para o alambique*. Armadura, em forma de oval para a cabeça. Tecto móvel do moinho de vento.
Capacho- Utensílio de esparto ou de outra substância para aquecer os pés. Quando de forma cilíndrica e orifício ao centro, é utilizado, como as seiras*, na prensa dos lagares, para espremer a azeitona moída. Capacha. O mesmo que caspacho, alimento servido no Alentejo aos ceifeiros.
Capadeira- Espécie de lanceta usado pelos capadores para capar os bacorinhos, machos e fêmeas, destinados à engorda e matança.
Capado- Animal que sofreu de capação ou seja da amputação dos órgãos sexuais.
Capador- Indivíduo que capa ou seja corta ou inutiliza os órgãos de reprodução animal,- porcos e bois- que, normalmente se deslocava para oferecer os seus serviços. Nos últimos anos da década de 60 do século passado, estes trabalho era feito pelo ferrador da terra.
Capar- Cortar ou inutilizar os órgãos reprodutores de modo a impedir a reprodução. Castrar.
Capataz- Chefe de um grupo de trabalhadores; feitor, manageiro.
Capelo- Parte superior do moinho de vento.
Capote- Capa comprida e larga, com cabeção ou capuz que chega até aos tornozelos. O cabeção é formado duma romeira* e, por baixo, as abas, que cobrem inteiramente os braços.
Caprino- Classe de animal a que pertence a cabra e o bode. Sua designação conforme a idade: chibinho até 20 a 30 dias; cabrito até 7 meses; chibarro cabrito até um ano; anaco, de 1 a 2 anos; chibato com mais de 2 anos; bode, chibato inteiro com mais de 3 anos.
Capucho- Cobertura de pano para a cabeça. Capuz.
Caqueirada- Amontoado de cacos ou coisas sem valor.
Caraça- Máscara de papelão usado pelo Entrudo. Pano que se colocava nos animais que puxavam as noras para lhe vendar os olhos, de modo a evitar que ficassem desorientados.
Caracol- Molusco gastrópode cuja casca forma espirais, grande inimigo dos legumes da horta.
Carago. Caramba*.
Caramba- Designa admiração ou ironia.
Carambola- Fruto comestível do caramboleiro*.
Caramboleiro- Planta da família das oxalidáceas que produz carambolas.
Carantonha- Cara feia, máscara, careta, momice, desenho tosco de uma figura ou cabeça humana. Caraça*. Caramono
Carapau- Nome vulgar de peixe, geralmente, pequeno, de rabo adelgaçado, de cor azul-esverdeada no dorso e branca na parte ventral, muito utilizado na alimentação. Era vendido, porta à porta, pelos sardinheiros(as).
Carapela- Folhelho da espiga do milho.
Carapeteiro- Espécie de pereira brava. Carapeto. Carrepeteiro.
Carapuço- Barrete de forma cónica. Carapuça.
Carcela- Tira com casas que se cose na abotoadura do casaco, calças, ..., de modo que se possa abotoar sem os botões ficarem à vista. Braguilha*.
Carda- Pregos metálicos miúdos, com cabeça larga, utilizados na sola do calçado de trabalho, especialmente botas, para lhe dar mais duração. Normalmente, todas as botas de trabalho era cardadas. Instrumento provido de puas com que se carda. Operação de cardar*.
Cardal- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.Local que produz cardos*.
Cardanhar- De cardanho. Roubar algo de pequena monta.
Cardar- Pentear desenredar com carda( lã ou qualquer fio). Pregar cardas no calçado de sola.
Cardo- Planta espinhosa e umbelífera que dá uma flor azulada chamada cardo. O cardo-de-coalho utilizava-se para coagulação do leite, no fabrico do queijo*. Em Mouriscas era pouco utilizado. Muito vulgar nas terras da Beira Baixa. Planta medicinal para o apetite, enjoo, fígado, hemorroidas e hipotensão.
Careca- O que perdeu parte do cabelo. Calvo, calvície. Diz-se de uma variedade de pêssego sem penugem*.
Careiro- Aquele que vende caro.
Careza- De preço elevado das coisas, carestia.
Carga- do lat. carrica, Aquilo que pode ser transportado ou é transportado por pessoas, animais, carros, navios, combóios: Carga maior- é de besta muar ou cavalar=10 arrobas; carga menor- é a de asno ou jumento=5 arrobas, ficando 2,5 em cada costal. Costal=peso de 4 alqueires de pão. Alqueire==20 arráteis; carga de carro, é a carreta ou carro= 20 arrobas. Viterbo, Eluc. II, 70)... . Besta de carga: O animal destinado a transportar a carga sobre o dorso. Fig. Besta ou burro de carga: O que aguentea com muito trabalho, em especial, o que os outros deveriam fazer.
Caril- Condimento indiano constituído por várias especiarias em pó: curcumas, gengibre, malagueta, pimenta, habitualmente, de cor amarela e dá à comida um sabor picante. Dic.da AC.Lisboa, I, 2001, 591).
Carnaval- Época de divertimentos e folias , que vai do desde os Reis até à Quaresma. Entrudo*. É tempo do gosto e apetite depravado, das intemperanças de gula, de se comer carne desregradamente.
Carneira- Pele de carneiro curtida e preparada que serve, especialmente, para forrar os chapéus e o calçado fino.
Carneiro- do lat. carne, Mamífero quadrúpede ruminante e lanígero de que o homem aproveita a carne, o leite, a lã a pele. A sua carne tem grande valor culinário.
Carocha- Grande insecto coleóptero de grandes antenas, o mesmo que cabra-loura. Caroucha.
Caroço- Parte interior, dura, do fruto que contem a amêndoa ou a semente. Glândula, parte de tecido ou língua inchada e dura. Fam.: Dinheiro.
Carolada- Pequena pancada dada com os dedos na cabeça de uma pessoa.
Carolo- A maçaroca ou espiga do milho depois de debulhada dos grãos, que servia para acender o lume ou o forno. Farinha de milho grossa. Pão de milho. Pl. Papas de farinha.
Carpa- do lat. carpa, Peixe de água doce.
Carpela- Folha dobrada que constitui o principal elemento do ovário das plantas.
Carpelo- Folhelho ou carpela da espigas do milho.
Carpinteiro- do lat. carpentariu< carpentum=carruagem de luxo, Operário que trabalha em obras grosseiras de madeira, cujas operações fundamentais eram: serrar, cortar e aplainar. Como ferramentas principais utilizadas na sua arte são de referir os seguintes: arco de pua, armilheiro, badame, banco, cepos de moldar, chave de fenda, compasso, enxó, esquadro, formão, gaisepo, garlopa, goiva, graminho, grosa, guilherme, junteira, lima, machado, maço, martelo, meia-esquadria, metro, nível, parelha de solho, pedra de afiar, plaina de volta, plaina, ponteiro, rebaixador, rebote, serra de rodar, serra manual, serrote de costas, serrote de pontas, serrote de tosco, suta. Ant. Fabricante de carros.
Pesquisa e texto de : Carlos Bento, Etnógrafo e Prof. Universitário.

(Continua)

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Domingo, 1 de Outubro de 2006

Lingua e Cultura nos meados do sec. XX(6)

(Continuação)
 
Cabaça- Espécie de abóbora em forma do algarismo, que serve para a alimentação humana. Depois de seca servia para os pastores levarem água.
Cabana- Casinhola rústica, barraca, choupana. Cabano*.
Cabanal- Apendre, coberto. Cabano.
Cabano- Boi que tem as hastes descaídas e abertas. Alpendre, coberto.
Cabaz- Pequeno cesto de vime com asa, para transporte de fruta, batatas, ... . Consoante as sua dimensões, assim as diferentes designações que assume: o mais pequeno é denominado cabaz do almoço, o maior, cabaz do jantar. Os de vime branco(descascado) são chamados cabazes brancos.
Cabazada- cabaz cheio; grande quantidade. Abada*.
Cabeçada- Pancada com a cabeça. Chapéu, boina ou boné. Parte dos arreios que cingem a cabeça das bestas. Fig Disparate, tolice.
Cabeçalha- A parte dianteira do temão do carro. A vara central. Cabeçalho*.
Cabeçalho- Temão* do carro.
Cabeção- Cabresto para domar e governar uma cavalgadura sem lhe ferir a boca.
Cabeceira- Lugar onde descansa a cabeça Parte da cama ou leito em que fica a cabeça. A que fica junto à cabeceira.Mesa ou mesinha de cabeceira: e contém geralmente um vaso de noite. Topo da propriedade rústica.
Cabecinha- Diminutivo de cabeça. Farinha que fica na peneira depois de separada a sêmea* quando se peneira o rolão*.
Cabeço- O ponto arredondado e mais alto de um monte, outeiro, cimo, cume.
Cabeçudo- Que tem a cabeça grande. Fig. Teimoso, obstinado, pertinaz. Peixe cabeçudo: Girino.
Cabedal- Coiro próprio para o fabrico do calçado.
Cabide- do ár. makbid?=cabo, punho, pega, Móvel em que pendura vestuário.
Cabouco- Tubo de grande dimensões por onde passa a água que vai para o rodízio e faz mover o moinho de água.
Cabra- Animal mamífero da ordem dos ruminantes, fêmea do bode. Fornece a carne e o leite para consumo ou fabrico de queijos e a pele para o fabrico de sacos e vasilhas para o transporte de cereais e farinha e de azeite. Paria um a dois chibos por ano e as suas crias, os chibos(as) dormem separados das mães para que estas possam ser ordenhadas à noite e de manhã. Após a ordenha deitam-lhes as crias para eles mamarem. Quando são para criar e lhes era tirada a mama, ao fim de dois ou três meses de vida, eram embarbilhados, colocando-se-lhes um barbilho de pau na boca, que lhes permite comer mas não mamar. Tem várias denominações consoante a cor dos cabelos: caldeira, pretos, com barriga e pernas amarelas, cardena, brancos s pretos, ruça, brancos e vermelhos, bragada, com pelos menos duas cores, branco e vermelho, branco e preto e branco e amarelo; consoante a forma dos chifres: machuna, cornos largos e voltados para cima(de macho), carrapita ou carrapiteira, com cornos voltados para cima, mas miúdos, gacha, cornos míudos muito curvos para trás, mocha, sem cornos; conforme as formas do amojo: talhuda, tetas largas e um pouco compridas, tarraca, tetas curtas e junto à barriga, dureira, o leite sai com bastante dificuldade, moleirinha, o leite é mungido facilmente e por, por vezes, sai naturalmente, e mão-teta, que só tem uma teta.
Cabrada- Rebanho grande de cabras.
Cabrais- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Cabrão- Bode. Marido atraiçoado pela mulher.
Cabresto- Aparelho constituído por um conjunto de correias ou cordas, colocado na cabeça, com se prendem ou conduzem as bestas e também as cabras e ovelhas que pastam presas a uma corda .
Cabrita- Cabra pequena, chibita*.
Cabrito- ling. corrente, animal quando novo. Chibito. Chibato
Caca- Excrementos do bebé, cocó. Sujeira. Animais que se caçam. Busca, procura, perseguição do inimigo.
Caçador- Aquele que caça. Apanhar ou trazer uma grade: Diz-se do caçador que volta sem caçar nada.
Caçamulo- Sabugo da maçaroca do milho.
Cação- Nome vulgar dados a vários peixes esqualos. Constituía alimentação da gente mais pobre.
Caçapear- Andar como o coelho. Acachapado.
Caçapo- Coelho novo, láparo. Fig. Homem baixo e gordo.
Cacaréus- Trastes velhos.
Cacarejar- Cantar da galinha depois de pôr o ovo.
Cacaria- Monte de cacos, porção de objectos velhos, sem utilidade.
Caçarola- Cacoila*. Caçola. Tacho de barro, com pequenas asas, para cozinhar.
Cacetada- Pancada com uma cacete*.
Cacete- Pau curto e grosso. Moca.
Cachaço- A parte posterior do pescoço.
Cachamorra- Cacete, moca, clava.
Cachamorreiro- Caceteiro, o que bate com o cacete.
Cachão- Borbulhão, borbotão, fervura.
Cachapim- Mejengra( pássaro). Mingengra.
Cachaporra- Cachamorra*. Cachaporro.
Cachaporrada- Pancada com o cachaporro.
Cachené- Espécie de manta ou lenço com que se agasalha o pescoço. Lenço de lã fina que as mulheres usam na cabeça.
Cachepada- Criançada
Cachepita- Cachopita.
Cachepito- Cachopito.
Cachoeira- Queda de água, catadupa, cascata.
Cacho-Infrustescência agrupada indefinida com eixo mais ou menos alongados e as flores e os frutos inseridos lateralmente sobre pedicelos maiores ou menores. Bêbado como um cacho: embriagado.
Cachola- Cabeça, cachimónia, juízo. Ceia farta de carne de porco na festa da matança. Espécie de guisado confeccionado com o bofe(pulmões), o rissol e o fígado do porco ao qual se juntam batatas cortadas em cubos pequenos. Cul. Reg. da Beira Baixa, Refeição farta feita com carne de porco, pouco depois da matança.
Cacholeira- Enchido feito com aparas de carne gorda e fígado de porco aos pedaços. Regional, fígado de porco cozinhado. Cachola*.
Cachopa- Rapariga, moça pequena.
Cachopo- Rapaz, moço pequeno.
Cachorra- Cadela ainda nova.
Cachorro- Cão novo ou pequeno.
Caço- Tacho ou frigideira, de metal para tirar líquidos, especialmente azeite, das talhas ou potes, geralmente, com um cabo de madeira, e a sopa da terrina. Frigideira.
Caçoada- Zombaria, escárnio, fazer troça.
Caçoar- Fazer troça, escarnecer, zombar, brincadeira.
Caçoila- cast. Cazzuela, Caçarola, vaso de barro para cozinhar. Caçola.
Caçoilo- Caçoila pequena.
Caçola- Caçarola* de barro.
Cadabulho- Porção de terra junto às paredes e árvores, que por lhe não chegar o arado, é cavada a enxadão. Marrada*.
Cadeira-Assento com costa . Substituiu as tradicionais tropeças de sobro, os pesados cepos de toros de pinheiro, sobreiro ou laranjeira e os banquinhos de madeira, de muitos feitios que serviam para as pessoas se sentarem à lareira nas frias noites de Inverno.
Cadelo- Taramela do moinho ou da azenha.
Cafeteira- Recipiente cerâmico. O fundo convexo deste artefacto denuncia que se destinava a ser colocado directamente sobre o lume para nela se fazer a infusão de café ou chá.
Cagaço- Medo, susto, terror.
Cagadela- Dejecção de mosca.
Cagadouro- Latrina*. Local, geralmente ao ar livre, onde cagava*.
Cagalhão- Excremento humano.
Cagança-Fig.Petulância, arrogância.
Caganeira- Diarreia.
Caganetas- Excrementos de certos animais, caprinos, ovinos, em forma de pequeninas bolas. Caganitas.
Caganitas- Caganetas*
Cagão- Homem medroso.
Cagar- Dejectar, expelir qualquer coisa pelo ânus.
Cagulo- Cheio até não levar mais. A parte daquilo que se mete que fica acima das bordas da medida não rasoirada. Cogulo.
Caiadela- Caiação ligeira, mão de cal.
Caiar- Branquear com cal.
Caibro- Barrote que se fixa às traves de uma construção para se assentarem as ripas. Barrote que sustenta o soalho ou o telhado duma casa
Cairo- Fibra do fruto do coqueiro que serve para fazer seiras, capachos, ceirões, tapetes, cordas, amarras, cabos, ... .
Cajada- É um pau direito com garrancho na ponta ou seja que termina numa curva, de volta redonda ou não que serve para segurar um animal que quer agarrar.
Cajado- Bordão de pastor, bastão. Pau delgado, direito, com cerca de 1,40 metros. que servia de apoio e para defesa.
Cal- Óxido ou hidróxido de cálcio. Cal viva ou virgem: óxido de cálcio; cal apagada: hidróxido de cálcio; leite de cal: A cal hidratada diluída em água. A cal viva ia comprar-se aos fornos da Barca do Pego, Alferrarede.
Calabouço- Cadeia, prisão.
Calabre- Corda grossa e comprida que servia para prender a carrada de mato roçado nas testadas e transportado no carro de bois. Parte da nora* por onde circulavam os alcatruzes.
Calaceiro- Mandrião, preguiçoso.
Calada- Silêncio completo.
Calão- Preguiçoso, pouco amigo de trabalhar.
Calatrão- O que é velho, sem valor. Culatrão.
Calça- Peça de vestuário exterior que parte da cintura e cobre separadamente as pernas. Até c. 1950, no campo, só os homens as podiam vestir. Dar à calça: evacuar, fazer as necessidades maiores ao ar livre, acto que se praticava mesmo que houvesse casa de banho, o que era invulgar.
Calçadeira- Instrumento que ajuda a calçar as botas ou sapatos.
Calçado- Peça de vestuário para cobrir exteriormente os pés.
Calcado- Pisado com os pés. Comprimido.
Caldeira- Vaso grande de metal, especialmente, para aquecer ou ferver água, produzir vapor e cozinhar alimentos..
Caldeireiro- Artesão que faz ou conserta caldeiras, caldeirões e , de um modo geral, tachos, panelas, púcaros, ... .
Caldeiro- Vaso de metal para tirar água dos poços e cisternas. Espécie de panela grande que servia para preparar a vianda do porco.
Caldo- Sopa. Cozimento nutritivo preparado com carne, hortaliças, ... . Cozimento de hortaliças, couves.
Caldudo- (Beira) Caldo de castanhas piladas e leite.
Cale- Rego ou encaixe em peça comprida de madeira por onde corre a água, para a roda das azenhas e rodízio dos moinhos.
Caleira- Tronco escavado longitudinal/ para escoamento de águas. Calha por onde corre a água. Peça de couro com que os ceifeiros, no Alentejo, resguardavam a mão esquerda dos cortes da foice que manejavam com a mão direita.
Calha- Sulco ou rego que se abre em qualquer superfície para facilitar o deslize de líquidos ou de qualquer objecto. Cale.
Calhandra- Espécie de cotovia ou laverca com bico forte e voo rasteiro. Cobra.
Calhar- Que pode acontecer, estar disponível.. Se me calhar irei lá para a semana.
Calhau- Fragmento de rocha, pedra, seixo. Arriar o calhau: Pop significa evacuar. O mesmo que dar à calça*.
Calhordas- Indivíduo troca tintas, desprezível. Calhorda.
Caliça- Fragmentos de cal, argamassa, gesso provenientes de obras de construção ou demolição.
Calma- Calor do Sol, às horas mais quentes do dia. Sossego, serenidade. Calmaria*.
Calmaria- Ausência de vento. Tempo quente, calor.
Calmeirão- Indolente, preguiçoso. Pessoas grande. Que grande calmeirão que tu estás.
Calote- Pequena dívida que não se paga.
Caloteiro- Aquele que prega calotes, que não paga o que deve. Que é de más contas. Mau pagador.
Calracho- Erva dos prados. Escalracho. Galracho.
Cama- Móvel em que as pessoas de deitam para dormir ou descansar. Lugar afeiçoado onde os animais são recolhidos e dormem. Fazer a cama dos animais: preparar o local com palha ou mato apropriado de modo a proteger os animais da humidade e dos seus próprios excrementos.
Camalhão- Porção de terra de cultura que fica entre dois regos.
Camarada- Companheiro, colega que exerce a mesma profissão. Pessoa amiga, prestável. Camaradas: agrupamento de ceifeiros(as).
Camarrão- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas.
Camba- Cada uma das peças curvas das roda do carro de bois. Moinho de mão. Atafona.
Cambada- Grande quantidade de coisas. Fig. Cáfila, corja, canalha. Porção de gente suspeita.
Cambal- Resguardo em folha metálica que se adapta à mó para evitar que se espalhe a farinha que vai sendo moída. Cambeira. Cambo.
Cambalhota- Volta que se dá com o corpo de cabeça para baixo. Trambolhão, tombo, queda.
Cambão- Peça em madeira e ferro na extremidade que se aplica nos arados e grades de modo a facilitar o trabalho dos animais que a puxam. Vara ou varela que constitui uma parte um engenho com que se tira a água dos poços, denominado picota*.
Cambeira(o)- Larga faixa circular de madeira, zinco ou cortiça que envolve as mós, mas algo afastadas delas, evitar que se espalhe, para aí passar a farinha que, por uma abertura própria, o panal*, vai cair no chão. Cambal.
Cambeiral- Pano que se coloca em volta da mó ou na sua frente, para que a farinha não caia. Cambeiro(a)
Cambo- Pau com um gancho* na ponta para apanhar fruto. Torto. Escambo, troca, câmbio.
Cambra ou Cambara- O mesmo que Câmara (Municipal).
Caminho de ferro- O primeiro troço da linha entre Abrantes e Castelo Branco começou a funcionar no dia 5 de Setembro de 1894. O 1º comboio a chegar a Castelo Branco foi no dia 14.7.1894. Lisboa a Carregado em 28 de Outubro de 1856. A linha do Leste começou a funcionar até ao Entrocamento no ano de 1862 e daí seguiu por Abrantes, sendo aberta em 7.11.1862. para Espanha.
Caminho- Faixa de terreno para onde se vai de um lugar para outro. Estrada, trilho, atalho. Direcção. Rumo. Caminho de cabras: vereda, caminho estreito e difícil.
Camisa- Peça de vestuário que se veste por cima da pele ou de uma camisola. Folha ou película que envolve a espiga do milho.
Camomila- Erva, anual, de caule erecto, de folhas verdes, de flores brancas, amarelas no centro. Utiliza-se na medicina popular para doenças da boca, cabelo, dores de cabeça, feridas, gripe, insolação, mesntrução, nevralgias e pele. Macela* ou marcela.
Campaínha- Pequeno utensílio com forma semelhantes à dos sinos, da mesma substância e com um toque argentino.
Camurcina- Espécie de pano imitando a camurça. Espécie de casaco. Blusão.
Cana- Planta gramínea, de haste oca, nós e entrenós, que serve de suporte aos feijoeiros, tomateiros, ... . A parte superior e lisa do caule do milho*, desde o último nó à bandeira*. Utensílio para pescar.
Canada- Antiga medida de capacidade que levava 4 quartilhos. Terreno baixo que tem a forma de canal. Atalho. Azinhaga
Canalha- Gentalha, plebe, ralé, vil, infame. Crianças.
Canastra- Cesta larga e pouco alta feita de fasquias entretecidas ou de verga.
Canastrão- Canastra ou cesto grande de verga
Canastro- Espécie de canastra mais estreita e mais funda, com os bordos altos. Pop. O corpo humano.
Canavial- Local onde crescem quaisquer gramíneas chamadas canas*.
Cancela- Porta de madeira geralmente com grades, usada nos bardos. É formada por couceiras, travessas e ripas, deixando intervalos entre si.
Candeeiro- Utensílio de várias formas e diversas matérias, com pé ou de suspensão com torcida e bico, que se emprega na iluminação e que é alimentado a petróleo ou a gás. Mais modernamente a electricidade.
Candeia- Aparelho de iluminação constituído por um vaso pequeno, em louça ou folha, com um ou mais bicos, por onde sai uma torcida alimentada por azeite contido no vaso. Nome de uma planta cuja flor tem o feitio de uma candeia.
Candil- Pequena candeia.
Candonga- Contrabando de géneros alimentícios, como azeite, milho, trigo, ... . Actividade muito desenvolvida no tempo da II Guerra Mundial.
Caneca- Vaso pequeno cilíndrico geralmente de louça, com asa.
Pesquisa e texto de : Carlos Bento, Etnógrafo e Prof. Universitário.
(Continua)
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Sexta-feira, 28 de Julho de 2006

Língua e Cultura nos meados do sec. XX(5)

(Continuação)

Borralha- Borralho*.
Borralho- Brasas ou brasido quase apagado de qualquer fogo( fogão, forno, lareira, braseira, ... . Cinzas com algumas brasas.
Borrão- Nódoa de tinta no papel, na roupa, ..., especialmente, com tinta* de escrever.
Borrar-se- Sujar-se com borras ou com outra matéria semelhante. Emporcalhar-se. Defectar, sujando-se a si próprio: borrou-se nas calças.
Borrasca- Ventania súbdita, impetuosa e de pouca duração.
Borrega- Empôla nos pés ou mão derivada de queimaduras ou pressão excessiva sobre uma parte do corpo, especialmente, pés e mãos. Bolha. Ovelha com menos de um ano.
Borregas- Bocados da coalhada que vai junta com o almece* e serve de alimento.
Borrego- Carneiro* com menos de um ano.
Boseira- Excremento de ave de capoeira.
Bosta- ( de bostal), lat. bostare=curral de bois ou vacas. Excrementos de bois ou vacas utlizados nas estrumeiras e para embostar as eiras*.
Bostear- Revestir de bosta diluída em água: o caso das eiras de terra antes da malha. Embostar.
Bota- Calçado que envolve o pé até ao tornozelo. Par de botas: dificuldades, situação atrapalhada, negócio encrencado. Descalçar a bota: Livrar- se de uma situação embaraçosa. Bater a bota: morrer, esticar o pernil. Bota de elástico: rotineiro, apegado a convenções.
Botado- Desbotado*.
Botão- Pequena saliência nos vegetais, da qual nascem os ramos, as folhas e os frutos. Olho, gomo, renovo. Pequena peça, feita de vários materiais, geralmente arredondada e achatada, que serve para unir diferentes partes do vestuário, entrando numa abertura chamada casa, botoeira ou aselha, consoante o feitio. Jogo de rapazes que se pratica atirando botões contra uma parede, muro ou outra superfície vertical. Para ver qual vai mais longe, em ricochete.
Botar- Deitar. Botar o gado: levar as cabras a pastar.
Botaréu- Contraforte de reforço a paredes. Parede que separa divisões no campo, para se poder regar melhor. Muro de socalco. Pilastra.
Bote- do ing- boat, Pequena embarcação a remos ou à vela.
Botelha- Garrafa. Frasco.
Botica- Lugar onde se preparam, conservam, vendem ou distribuem medicamentos, onde se aviam as receitas médicas. Farmácia. Loja de miúdezas
Botifarra- Bota grande, grosseira e forte.
Botija- do cast. botija, Vasilha de barro ou de grés, cilíndrica, de gargalo curto e com uma pequena asa.
Boto- Que perdeu o gume. De gume embotado, rombo.
Bouça- Terreno inculto. Fogueira grande.
Brabo- Bravo.
Braça- Antiga medida de comprimento= 2,2 metros.
Braçada- Porção que coisas que os braços podem cingir, conter ou levar. Braçado de lenha. Movimento do nadador com os braços.
Braçadeira- Espécie de meia argola ou argola inteira, de couro, metal, pano, fibra, ... , que segura duas os mais peças.
Braçado-     Braçado de couves, de lenha, ... 
Braçal- Que se faz com os braços, braceiro: serviço braçal que os homens da aldeia tinha de prestar, anualmente, à comunidade. Mais tarde a contribuição braçal passou a ser paga a dinheiro.
Bragal( de braga), A roupa branca de uma casa. Pano de linho* grosso com se faziam as bragas. Enxoval
Braguilha- ( de braga), Abertura dianteira das bragas, ceroulas ou calças, desde o cós da cinta até às pernas. Carcela. Portinhola.
Braseira- Bacia de cobre ou de lata onde se põem as brasas para aquecer o ambiente ou os pés, durante o tempo frio. Braseiro*.
Braseiro- Fogo de carvões ardentes. Lar, lareira, borralho. Fogo, incêndio. Braseira*. Brasido.
Bravo- Que não está domesticado. Que tem mau génio, arrebatado. Terreno bravo=inculto
Breca- Contracção muscular dolorosa e involuntária. Cãibra. O homem é levado da breca: destemido, atrevido, de mau feitio, ... .
Brecha- Abertura em qualquer vedação, muro ou sebe. Golpe ou ferida profunda. Fenda.
Bredo- Planta hortense de que se faz esparregado.
Brejo- Terreno encharcado, lodoso, pantanoso. Matagal, urzal.
Briga- Luta, desavença, combate, rixa, discussão, disputa.
Brigão- O que briga, rixoso, brigoso, dado a desordens.
Brinquedo- Objecto com que brincam as crianças. Brincadeira, folguedo, jogo*. Roca: brinquedo feito de lata com objectos lá dentro para fazer ruído.
Briol- Gír. O mesmo que vinho.
Broa, do gót brauth=pão, Pão de milho, bolo desse pão. Era o pão dos humildes. Pastel de farinha de milho* misturada com azeite*, mel*, canela e outras especiarias, usadas, sobretudo, pelos Santos e pelo Natal. Boroa.
Broca- Instrumento com que abrem buracos circulares formado pela pua, eixo e arco respectivo.
Brocha- Prego curto e de cabeça larga a chata. Carda. Chaveta, na ponta do eixo do carro. Correia que cinge o pescoço do boi à canga. Pincel.
Brochas do mangual- Pregos de madeira que ajudam a fazer a ligação das duas partes do moeira*.
Brocho ou brôcha- Correira que liga o pirtigo* à moeira ou mangoal*.
Brotoeja- Espécie de erupção cutânea que consiste em borbulhas sem supuração. Surge quando se mexe em favas ou ervilhas armazenadas. Pop. Bertoeja.
Brutamontes- Homem alto, forte, corpulento. Estúpido, bruto.
Bruxa- Mulher que o povo pensa ter pacto com o diabo e que é capaz de conhecer o futuro e de influenciar pessoas e coisas por meio de sortilégios, encantamentos, malefícios, feitiçarias ou outras artes mágicas. Que faz bruxedo. Feiticeira.
Bucha- Pedaço de pau, papel, pano, destinado a tapar um buraco. Pedaço de pão ou de outro qualquer alimento que se mete à boca. Comer uma bucha: comer alguma coisa que não chega a ser refeição, como por exemplo um bocado de pão seco, um figo seco, ... . Aquilo que, dentro das armas de fogo, se põe por cima da carga para a segurar. Aquilo que incomoda, importuna.
Buchada- Conjunto do bucho e das vísceras dos animais. Fig. Maçada, maçada, estuchada. Cul.-Alimento preparado com tripas e vísceras do carneiro ou bode
Bucho- De origem desconhecida. Estômago dos animais muito utilizado na confecção de alguns pratos como os maranhos e o bucho recheado.
Bufa- Ventosidade que sai sem ruído pelo ânus e que tem cheiro desagradável. Peido*.
Bufarinha- Alguma coisa de pouco valor. Bugiganga. Quinquilharia.
Bufarinheiro- Vendedor ambulante de bufarinhas, quinquilharia ou bugigangas.
Bufo- Ave nocturna semelhante à coruja.
Bugalho- Noz de galha esférica. Fig. Os ovos dos pássaros.
Bulha- Discussão, briga, rixa, discórdia.
Burgalhau- Seixo, pedras miúdas no fundo da água,. Fundo de burgalhau: cascalho seixos e areia. Burgau
Burgesso- Homem gordo e muito grosseiro, de maneiras rudes.
Burla- Engano, logro, burla.
Burlar- Praticar burla. Enganar, ludibriar.
Burra- Fêmea do burro. Bancada. Cavalete em que os serradores sustentam a madeira que vão serrando. É constituído pelos pontais(mais altos), as pernas da burra de menor altura do que os pontais, nos quais assenta o tronco a serrar e a burra, pau que ampara no plano mais baixo. Uma da extremidade do pau amarrava-se no alto da burra e a outra assentava sobre dois forcados, apropriados para o efeito e da mesma altura da engenhoca. Um dos serradores saltava descalço para cima do madeiro e o outro, por baixo, de joelhos, movimentavam a serra que ia dividindo o tabuado, guiada pelos traços vermelhos. Pop. Cofre para guardar dinheiro.
Burro- Mamífero da família dos equídeos, doméstico e mais pequeno do que o cavalo, geralmente, de cor cinzenta, orelhas compridas, crina curta e um penacho de crinas na extremidade da cauda. Na crença popular o burro tem grandes poderes mágicos. Na linguagem popular existe a locução: Pagar as favas que o asno comeu, onde as favas têm um sentido fálico. Jumento, asno. Jogo de cartas para criança.
 
 Pesquisa e Texto de : Carlos Bento, Etnólogo e Prof. Universitário.
(Continua)
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Sábado, 15 de Julho de 2006

Língua e Cultura nos meados do sec. XX(4)

 

(Continuação) 
Belga- Courela de terreno. Pequeno campo cultivado. Cada uma das secções de terreno separadas por regos paralelos ou valados. Transo*.
Belhó ou beilhó- Filhó de farinha, abóbora doce e vários condimentos.
Belho- Tranqueta, lingueta da fechadura. Bedelho. Pequeno tronco de madeira ou metal utilizado em jogos infantis dos meados do súlo XX.
Berço- Caminha de criança. Infância. Terra. Lugar de origem.
Berlinde- Bolinha de vidro, de pedra ou metal para jogo de rapazes.
Bertoeja- Forma popular de brotoeja ou bortoeja*.
Besta- do lat. bestia, Quadrúpede. Animal de carga como o macho, mula e burro ou burra. Sobre a albarda dos animais, colocavam-se cargas diversas, com ajuda de cordas de enquerir, cangalhas*, alforges* e ceirões*. Os machos e as mulas eram animais de carga muito utilizados pelos moleiros.
Besuntar- Untar muito, sujar com substância untuosa.
Bezerra- Vitela, novilha. A pele deste animal depois de preparada destina-se ao fabrico de calçado.
Bezerro- Vitelo, novilho até aos dois anos.
Bibe- Espécie de avental ou quase vestido, com mangas, para as crianças não sujarem o vestuário.
Bica da Pedra. Lugar habitado da freguesia de Mouriscas, situada na margem esquerda da Ribeira da Arcês.
Bica- Pequeno canal ou telha* por onde corre a água ou outro líquido.
Bichana- Gata.
Bichanar- Dizer, falar em voz baixa, cochichar.
Bichano- Gato*.
Bicho- Denominação comum dos animais terrestres, especialmente, vermes e insectos. Pessoa feia, intratável, acanhada. Matar o bicho: desjejuar com aguardente ou outra qualquer bebida alcoólica acompanhada com figos secos(passas). Tratar dos bichos: Cuidar dos animais domésticos.
Bicho-carpinteiro- Escaravelho. Ser traquinas, irrequieto. Esta criança tem bichos carpinteiros
Bicho-de-conta- Pequeno crustáceo isópede, de cor escura, que se enrola quando se lhe toca.
Bichoso- Que tem bichos.
Bigorna- do lat. bicorna, Peça de ferro, com o corpo central quadrangular e as extremidades cónicas ou piramidais sobre a qual se batem e amoldam os metais. Artefacto usado por ferreiros e ferradores.
Bilha- do franc. bille, Vaso geralmente de barro, bojudo, de gargalo estreito. Botija*. Jarro*. Recipiente de cerâmica comum para o transporte manual e armazenamento de água. Possui uma única asa, podendo apresentar variações na altura da pança. A sua pasta permeável, mercê de uma cozedura incompleta, conserva-se húmida sem, contudo, permitir que a água se escape. A evaporação rápida operada no exterior provoca um abaixamento considerável da temperatura da água(estimado em 4 a 7 graus), relativamente à temperatura ambiente.
Bilharda- do franc. bilhard, Jogo de rapazes praticado com dois paus. Nome do pau mais pequeno.
Biqueira- bico, extremidade, ponta. Ponteira do calçado. Saída estreita do cubo por onde sai a água que vai accionar o rodízio de um engenho de farinação. Seteira. Telha* do beiral que sobressai.
Biqueirada- Pontapé dado com a biqueira.
Biquento- Pessoa que tem má boca, fastio. Fastiento.
Birra- Teima, obstinação, zanga.
Bisarma- Pessoa muito corpulenta. Coisa desconforme.
Bisca- do it. bisca, Nome de jogo de cartas. Os jogos da bisca e da sueca eram muito jogados nas tabernas.
Biscate- Pequeno serviço fora do horário normal de trabalho. Biscato.
Bocado- Porção de alimento que se mete na boca e se come de uma só vez. Certo espaço de tempo. Courela*. Pequeno terreno agrícola.
Bocal- Abertura de vaso, candeeiro, frasco, ... .
Boçal- Estúpido, rude inculto, grosseiro.
Boda- (de bodo), Celebração do casamento. Banquete que se dá por tal ocasião.
Bode- Macho da cabra. Chibato de casta para a cobrição.
Bodega- Comida, grosseira e mal feita. Este comer é uma grande bodega: não vale nada, não presta.
Bodum- (de bode), Cheiro muito activo e característico do bode não castrado. Cheiro e sabor a sebo* da carne de carneiro.
Boémio- Estroina, valdevinos, vagabundo.
Boer- Corruptela de beber. O Zé vem daí, vamos boer um copo a minha casa.
Bofe- do ár. boff=pulmão< baffe, soprar, pulmão. Plural: fressura* dos animais. A fressura de porco comia-se no dia da desmancha, ao almoço .
Bofetada- Pancada com a palma da mão no rosto. Insulto, ofensa.
Boga- Peixe acantopterígio, de corpo raiado, existente nas ribeiras e rios.
Boi- do lat. bove, Ruminante bovídeo empregado no serviço da lavoura, na alimentação do homem, ... . O boi de trabalho era castrado ou capado.
Boiça-, do lat. baltea=matagal, Terreno que só produz mato. Terreno inculto e murado onde se cria mata ou lenha. Grande fogueira.
Boiçar- Roçar e queimar o mato em terreno destinado a semear cereais.
Boída- Corruptela de bebida.
Boiz, Aboíz ou Aboís- Armadilha de caçar coelhos e aves( perdizes, gaios, melros, rolas, tordos, composta de uma vara do comprimento de 1,20 metros, à extremidade da qual se prende um fio, atado a um pauzinho chamado pinguel e que vai terminar em asa própria para fazer laçada corredia. A uma certa distância da vara e cravada no chão como ela, está uma outra muito mais pequena formando um arco ou gancho, sob que passa, depois de vergada a primeira, o pinguel, a que faz resistência uma azeitona ou grão, servindo de engodo, e à roda da qual está armada a laçada. Serve para caçar gaios, tordos, melros, pombos, rolas, perdizes, ... . ... .Varitana.
Bolacha- Bolo chato de farinha, com ou sem açúcar. Fig. Bofetada*.
Bolha- , do lat. bulla=esfera oca, Empola na pele. Fig.Maluqueira, mania.
Bolo- ( de bola), Massa de farinha, açúcar, ovos e outros elementos, cozida no forno ou frita., que tem a forma arredondada. Bolo de noiva: bolo oferecido pelos pais dos noivos aos amigos e convidados.
Bolo finto ou lêvado- Que levedou, fermentou ou fintou.
Bolor- , do lat. pallore=palidez, Vegetação criptogâmica que se formas nas matérias orgânicas quando entram em decomposição. Bafo, mofo. Fig.Velhice.
Bolorento- Coberto de bolor.
Bolota- Fruto da azinheira, doce, que se come velado na chaminé, assado e cozido. Também se punha na sopa de feijão com batatas. Antes da difusão dos cereais o homem alimentava-se de bolota e castanha. Boleta.
Bolsa- do lat. bursa, Saquinho de pano ou pele onde se traz o dinheiro. Saquinha fechada por meio de cordões ou fecho. Puxar pelos cordões à bolsa: ter de fazer uma despesa imprevista.
Bolso- Algibeira.
Bomba- Invólucro de papel com substâncias explosivas que os rapazes faziam rebentar, com grande estampido, pelo Carnaval. Aparelho para encher as câmaras de ar dos pneus e as bolas de futebol. Aparelho para elevar água.
Bombazina- Tecido aveludado de algodão.
Boneca- Pequena figura de mulher ou de menina, feita de pano, cartão, madeira ou porcelana destinada a brinquedos de crianças. Penso de pano que se coloca em volta de uma ferida. Pequeno embrulho de linho embebido em substância alimentar que se dá a chupar às crianças de peito. Bonecra. Fig. Mulher muito enfeitada. Mulher pequenina.
Boneco- Pequena figura de homem ou de rapaz, feita de pano, cartão, madeira ou porcelana destinada a brinquedos de crianças. Fig. Homem presumido, inútil, títere.
Bonifrate- Boneco de engonços* que se faz mover por meio de cordelinhos ou arames, que nas feiras encantavam a pequenada. Fig. Pessoa leviana, sem vontade própria.
Bonina- Margarida dos campos. Flor de Maio.
Bonisco- Excremento dos equídeos, muares e asininos utilizado no fabrico de estrume. Era vulgar algumas crianças irem aos boniscos, com uma cesta, pelos caminhos, cujo destino era as estrumeiras.
Boqueira- Pequena ferida na comissura dos lábios.
Borboleta- Insecto lepidóptero. Mariposa. Borboletas brancas são sinal de boa nova, as pretas de má. Fig. Pessoa volúvel.
Borcelar-Ant. Quebar as bordas.
Borcelo- Bocado.
Bordalo- Pequeno peixe de ribeiras e rios. Escalo.
Bordoada- Pancada com bordão: vara ou cajado. Cacetada, pancadaria.
Borga- Pândega, farra, vida airada.
Bornal- Saco que se usa geralmente a tiracolo e serve para levar provisões. Farnel. Saco de linho* ou de lona* em que se mete o focinho da cavalgadura para comer a forragem nela contida.
Bornil- Artefacto que se põe no pescoçoantes de atrelar os animais de tiro à carroça*, ao arado* ou à nora*.Borni. Trata-se de uma peça almofadada feita de palha de centeio e de couro, que assenta no pescoço dos animais, onde assenta a canga e os cangalhos*. . Por detrás do bornil colocava-se uma espécie de almofada, chamada fatilho*/suador*.
Borra- Fezes, lia, sarro. A borras de figos, resultantes da destilação de figos para o fabrico da aguardente, serviam para a vianda dos porcos. Eram próprias e ou compravam-se nas caldeiras industriais(destilarias), transportando-se em cântaros, à cabeça ou no dorso dos animais.
Borraceira- Chuva miúda, morrinha. Nevoeiro. Borraceiro.
Borracho- Bêbado. Pombo novo, implume.
Borrada- Sujeira, porcaria. Acção indecorosa.
Borrado- Sujo, porco. Medroso.
Borragem- Planta espontânea, herbácea borraginácea, anual, cujas flores azuis com estames escuros são usadas como sudorífero e no tratamento de doenças de pele, reumatismo e tosse. As suas folhas podem ser ingeridas cruas em salada ou cozidas em sopas. Borragem.
Pesquisa e Texto de : Carlos Bento, Etnólogo e Prof. Universitário.
(Continua)
publicado por casaspretas às 16:48
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Sábado, 24 de Junho de 2006

Lingua e Cultura nos meados do sec. XX(3)

 

 (CONTINUAÇÃO)
 
Babado- Molhado de baba. Fam. Apaixonado, enamorado por alguém.
Babadouro- Resguardo de pano ou de borracha que se coloca em volta do pescoço das crianças a fim de que a baba ou comida lhes não suje a roupa. Babeiro.
Bacalhau- Peixe da família dos gadídeos, com grandes qualidades alimentares e muito utilização na alimentação.
Bacelo- Vara com que se reproduz a vinha por meio de plantio.
Bacia- Vaso redondo e largo, afunilado, de bordas largas, de louça ou metal, que tem várias utilidades domésticas, principalmente para lavar a cara, as mãos e os pés. Vale côncavo, largo, cercado de montanhas. Conjunto de vertentes em torno de um rio e seus afluentes. Porção do esqueleto que constitui a parte inferior do tronco. Bacio de cama.
Bacio- Vaso de noite. Penico*.
Baço- Órgão da cavidade abdominal, situado no hipocôndrio esquerdo.
Bacoco- Palerma, pacóvio, ingénuo.
Bácoro- Porco novo capado, com a idade dos três meses para cima. Leitão.
Badalhoca- Bola de excrementos e terra que se forma na lã das pernas das ovelhas. Fig. Mulher porca, repugnante.
Badalo- Haste de ferro com uma bola na ponta, suspensa no interior do sino, sineta ou campainha.
Badameco- Rapazote, fedelho. Homem sem importância.
Badana- Ovelha velha e magra com mais de três anos. Carne de ovelha velha.
Badejar- Limpar o trigo com o crivo para tirar algumas impurezas.
Bafio- Cheiro desagradável, derivado de humidades ou falta de renovação de ar.
Bagaceira- Cova, tulha, lugar onde se guarda o bagaço. Cova de bagaço*. Aguardente de bagaço de uvas.
Bagaço- Resíduos dos frutos que foram espremidos para lhes extrair o suco. O bagaço da azeitona, que se guardava nas covas de bagaço, era utilizado na alimentação dos porcos, das galinhas, nas lareiras e na adubação das terras.
Bagalhoça- Pop. Muito dinheiro.
Baganha- Película que envolve a semente do linho ou de outras. Grainha da uva. Casulo
Bagatela- Coisa de pouco valor ou inútil. Quantia insignificante.
Bago- Cada um dos frutos do cacho de uvas. Outros frutos redondos e carnudos semelhante à uva. Qualquer grão miúdo e redondo. Dinheiro.
Bagulho- Grainha das uvas depois de pisadas.
Baile- Ajuntamento de pessoas para dançar. Dança.
Baiuca- Casa pequena e miserável. Taberna frequentada por gente do povo.
Balança decimal- Instrumento para pesar vários produtos. Na pesagem usam-se pesos.
Balança- Instrumento que determina o peso relativo dos corpos. Serve para pesar produtos.
Balança romana- Destina-se a pesar porcos ou produtos pesados.
Balancé- Baloiço*.
Balde- Vaso de madeira ou de metal de forma quase cilíndrica para transportar água e outros usos domésticos e para tirar água dos poços com a ajuda da picota*.
Baldio- Maninho*, inútil, sem proveito. Terreno inculto.Trato de terreno sem dono ou inculto a que vulgarmente chamam maninho ou baldio. Terreno completamente desaproveitado.
Balho- O mesmo que baile*. Bailo.
Baloiço- Corda ou tábua suspensa em que as crianças se balançam.
Balsas- Sebe de ramos ou silvas*.
Banco- Prancha grossa assente em 4 pés que serve para matar o porco. Móvel, com ou sem encosto, para servir de assento. Cepo de ferrador.
Bandeira- Panícula* do milho. Costumava-se ser cortada para o grão da espiga engrossar.
Bandulho- A barriga, os intestinos. Encher o bandulho: comer em demasia.
Banha- Gordura de animais, e em especial a de porco. Em regra, era obtida mediante o derretimento do rissol(parte gorda que envolve o intestino) e do toucinho gordo do porco. Do mesmo derretimento resultavam os torresmos. Muito utilizada na cozinha tradicional, conservava-se em potes chamados de banha, também conhecidos por tigelas de banha.
Baraça- cordel, guita, corda delgada com que jogava o pião e servia o pôr em movimento.
Baracinho- Baraço pequeno.
Baraço-do ár. maras=cordel, Cordel.
Barbante- Cordel*.
Barbela- Pele pendente do pescoço dos bovinos. Dobra de gordura por debaixo do queixo. Prega. Extremidade farpada da agulha de meia ou de renda.
Barbicacho- Cabeçada de corda*. Cabresto* para calvaduras. Berbicacho. Fig. Embaraço; Dificuldades.
Barbilho- Espécie de saco ou de açame* de corda de esparto*que impede os animais de tenra idade de mamar ou comer. Pequeno pau de madeira que se atava na boca das crias das cabras para que não pudessem amamentar-se. P. ex. Os cabritos* até um mês.
Barca- Lugar habitado da freguesia de Mouriscas, sita junto ao rio Tejo. Havia uma barca que servia para transportar pessoas e bens entre Mouriscas/ Alvega e Concavada/Mouriscas.
Barco- Designação genérica de qualquer embarcação sem coberta.
Bardo- do lat. bardu, Renque de vides* ligadas por estacas ou arame. Curral mudável onde pernoita o gado* para estrumar a terra. Redil.
Barranco- Lugar cavado por enxurradas. Ribeiro, côrrego.
Barranhão- Recipiente de madeira onde se preparava a comida para os porcos. Alguidar.No Alentejo era uma espécie de celha, em folha de zinco, onde se confeccionava a açorda para o almoço dos ceifeiros.
Barrar- Cobrir com barro, rebocar, cobrir com creme, manteiga, ... . Barrar: presuntos com massa feita com vinagre e pimentos.
Barrasco- Porco de mais de um ano, destinado à cobrição*.
Barreira- (de barro), Lugar onde se tira o barro*. Barreiro. Terreno argiloso. Trincheira, obstáculo.
Barrela- Operação de passar a água quente por cinzas para branquear a roupa*.
Barrica- Pequena vasilha em forma de casco ou pipa.
Barrigada- Pançada, fartadela de comida. Gravidez.
Barril- Pequena vasilha feita de aduelas. Bilha de barro de grande bojo, de gargalo estreito e com duas asas.
Barro- Argila. Terra amassada própria para trabalhos de olaria e para a construção civil. As paredes e divisões das habitações eram feitas de pedra, tijolo, cal e barro ou só barro.
Barroca- do ár. burca=mau solo de areias, Passagem funda entre penedos/paredes ou barrancos. Rx. Caminho da barroca da missa: caminho que liga o lugar de Casas Pretas e o Casal da Igreja, da nossa freguesia de Mouriscas.
Barrote- Trave grossa e curta que sustém tectos, soalhos, tábuas, ... .
Báscula- Balança décimal.
Basculho- Vassouro de cabo comprido para limpar tectos, paredes, ... .
Bata- Roupão abotoado à frente que se veste por cima da roupa usual. .
Batata- Fruto da batateira*. Nariz muito grosso. Quando as batatas grelam em casa é sinal de que crescem os bens. Para sarar pequenas queimaduras, envolvem-se estas com batatas cruas esmagadas e uma mistura de azeite.
Batata-doce- Planta vivaz de tubérculos comestíveis de polpa tenra e açucarada.
Besta- do lat. bestia, Quadrúpede. Animal de carga era conduzido por almocreves, que era uma ocupação muito divulgada. Sobre o dorso dos animais de carga colocavam-se alforges* e ceirões*. Os machos e as mulas eram os animais de carga por excelência e muito utlizados pelos moleiros.
Batateira-  Solanum tuberosum L, Planta solanácea com tubérculos subterrâneos comestíveis chamados batatas.
Bate-cu- Queda em que se fica sentado.
Batedouro- Pedra em que se bate a roupa ao lavá-la. Lavadouro.
Bátega- Pancada de água, grande aguaceiro.
Bateira- Pequena embarcação sem quilha.
Batelada- Grande quantidade de objectos.
Batente- Ombreira onde bate a porta quando se fecha. Aldavra.
Batida- Acção de bater o mato, com o fim de forçar a caça a levantar-se. Batida à lebre e javali.
Beata- Mulher excessivamente devota ou que finge sê-lo. Ponta de cigarro já fumado.
Bebedeira- Estado de embriaguez, borracheira.
Bebedouro- Lugar, vaso, pia ou tanque onde os animais bebem água.
Bêbera- do lat. bifera=produz duas vezes por ano, Figo preto e alongado duma variedade de figueira* chamada bebereira. Figo lampo*.
Bebida- Qualquer líquido que se bebe.
Bedame, Formão estreito e comprido usado pelos carpinteiros. Badame.
Bedelho- Tranqueta ou ferrolho de porta que se levanta por meio da aldrava*; rapazelho. Criançola.
Beiça- Amuo, desapontamento.
Beirado ou beiral- Beira do telhado. Parte do telhado que faz saliência sobre o prumo das paredes.
Belancia- O mesmo que melancia*.
Beldroega- do latim portucala, planta portulácea, cujas folhas são comestíveis.
Pesquisa e Texto de : Carlos Bento, Etnólogo e Prof. Universitário.
(CONTINUA)

 

publicado por casaspretas às 16:57
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